19/07/2007 08:30
Capítulo 04 - Interpretando o “ininterpretável”
Na psicanálise se diz que nada é casual... Tudo é causal. Creio, contudo, que existem coisas que não se pode explicar, tampouco interpretar de acordo com a natureza da ocorrência, senão pela ótica de quem as vê.
Assim sendo, não me sinto no dever de ter que interpretar todo o material que meu paciente traz ao consultório seja ele mnético ou experienciado no dia da consulta. Não me cobro por não saber interpretar o ininterpretável. A única interpretação que me permito fazer é a de que não sei interpretar o que não é interpretável.
Nem tudo precisa ter significado para o terapeuta, basta que tenha para o paciente. E se ele solicitar ajuda na busca por significado, por interpretação do que ocorre com ele, recomendo que se inicie uma caminhada a dois nesta busca. Nunca só o terapeuta, nunca só o paciente. A iniciativa deve ser do paciente, pois somente a ele interessa compreender as circunstâncias e problemática de sua psicodinâmica. O terapeuta é um companheiro de jornada; algumas vezes silencioso, simplesmente ouvidor, outras vezes orientador. Ele deve ter consciência que está a serviço do paciente.
Tentar interpretar o indizível pode ocasionar mais perturbação que explicação, mais obnubilação que resolução. Quando fazemos isso, empacotamos nossa interpretação e a entregamos ao paciente, mesmo que ele não a queira. Construímos uma bitola e forçamos nosso paciente a caber nela, mesmo que ele seja maior ou menor que ela. Isso é um desatino, uma prática inconcebível... Desastrosa... Irresponsável.
Existem coisas que só compreendemos depois de “expirado” o tempo. E existem coisas que nunca compreenderemos. Quer aceitemos isto ou não, é assim e assim sempre será. A psicodinâmica de uma pessoa é maior do que imaginamos; vai além do que se pode mensurar, compreender, interpretar. Só quem entende e aceita tal fato, estará iniciando o processo de compreensão do ser humano e permitindo sua livre e espontânea manifestação existencial.
enviada por Dr. Psico
16/07/2007 08:00
Capítulo 03 - O “não dito”: Uma incógnita da análise
O que um psicanalista busca na análise? Resposta: O não dito. O psicanalista não está tão interessado no que o paciente diz, quanto está no que ele não diz. Assim reza o dogma freudiano. É o não dito que revela o que verdadeiramente o paciente quer dizer; é um caminho rumo ao pré e ao inconsciente, já que um dos objetivos da análise é tornar consciente o que é inconsciente.
O problema em tudo isto é que o paciente se vê sob a lente de um microscópio multifocal, que o esquadrinha de todos os lados e em todos os aspectos, deixando-o na condição de um mero mortal ante um semideus – ou deus, quem sabe! Mas como o não dito é uma incógnita, muitas vezes o analista pensa que sabe ou finge saber o que não está sendo dito, e isto dar um ar mágico às sessões, causando no paciente mais temor que confiança, pois acredita estar na presença de um ser supremo que tudo vê, tudo sabe, tudo interpreta, até o mais íntimo do ser, o mais oculto dos segredos.
É um grave erro analisar as pessoas pela ótica de uma única abordagem ou de uma teoria que se propõe explicar as coisas sob leis definidas, condicionadas a dogmas irrefutáveis, vendo o paciente pela perspectiva da patologia.
Numa psicanálise orientada pela epistemologia, isto não ocorre, pois o paciente é incentivado a verbalizar o que quer dizer e convidado a participar da interpretação do que foi dito. Não há mistério, nem elucubrações macabras. Não há espaço para a manifestação do sujeito suposto saber, nem de magos ou outro tipo de figura arquetípica do panteão intelectualista. É tão somente o paciente e seu analista – a pessoa em quem confia – numa análise participativa, pessoal, empática, afável e livre. Ambos com o direito de falar, intervir, explicar, pedir explicações, concordar, discordar, rejeitar, aceitar, decidir, avançar, retroceder, flexibilizar, ser inflexível, discutir, concluir, encerrar a sessão ou reiniciá-la. Isto é uma psicanálise orientada para a satisfação do paciente, não do analista - como ocorre na psicanálise tradicional, ortodoxa. Pode até satisfazer também o analista, mas nunca exclusivamente o analista.
Desta forma, todo o material de análise é o que foi discutido na sessão. Aquilo que não foi verbalizado fica em stand by, suspenso, arquivado em algum lugar na memória do paciente até a próxima sessão, sem nenhuma pretensão de fazer do silêncio um amontoado de interpretações, tampouco ignorá-lo; mas apenas dar ao paciente tempo para elaborar melhor o que tem para dizer.
Assim, o paciente se sente respeitado, apoiado, compreendido e verá o analista tal como ele é: um ser humano natural, desprovido da divindade e do poder de adivinhação.
enviada por Dr. Psico
12/07/2007 08:00
Capítulo 02 - Psicanálise objetiva X Psicanálise subjetiva
O estudo de qualquer conhecimento científico é orientado pelo princípio da objetividade. Posições pessoais, conceitos próprios, idade, cor, credo, raça, situação civil, preferência sexual, etc, não podem imiscuir-se no trabalho científico, nem com ele confundir-se. Quem se lança no campo da pesquisa científica precisa, obrigatoriamente, prescindir de posicionamento pessoal que interfira na elaboração ou produção do conhecimento científico. Deve sim, investir na pesquisa ancorado em convicções, persistência, tenacidade – próprias de quem almeja ser reconhecido como um cientista.
Sem a objetividade, toda e qualquer teoria, tese, dogma, postulado, etc, serão tão somente um amontoado de interpretações pessoais e, portanto, fadados ao descrédito, por estar sujeito ao erro. Não tem valores gerais, universais. Não podem ser aplicados a todos, em todo lugar, em toda época. Foram produzidos a partir do ponto de vista pessoal, eivado de crenças e valores pessoais... Sem fundamentação teórica. Portanto, a produção do conhecimento deve ser objetiva. Assim, toda a fundamentação teórica da psicanálise é, sem sombra de dúvida, objetiva. Se há nela algum traço de subjetivismo, diz respeito tão somente ao momento que seu autor experienciava quando a formulava.
Se tudo o que aqui discorri deve-se à objetividade, resultando numa psicanálise objetiva, fria, impessoal, o mesmo não ocorre – ou não deveria ocorrer – com a sua prática clínica. Esta deve ser pessoal, subjetiva, participativa, não restrita ao divã nem aos consultórios; deve levar em consideração a necessidade do outro, totalmente outro, mas não isoladamente outro. Deve ser humana, empática e epistemológica.
Para isso, é preciso que o profissional tenha conhecimento teórico e prático desta e de outras abordagens, para lançar mão dos recursos psico-terapêuticos disponíveis, a fim de atender à busca de seu paciente. Sua preocupação não deve prender-se estritamente ao conhecimento aprofundado das obras completas de Freud ou dos demais autores. Não deve sentir-se obrigado a saber de cor e salteado todo a teoria psicanalítica, nem ter resposta a toda indagação ou questionamentos sobre a existência humana, como se fora um filósofo. Porém, conhecer o pensamento central de Freud sobre o psiquismo, e dos que dele discordaram e ainda discordam, é de fundamental importância para um bom e eficiente exercício da psicanálise. Contudo, não devemos esquecer que a prática analítica deve levar em consideração quem somos, o que pensamos e o que queremos da psicanálise, bem como quem nosso paciente é, o que ele pensa e o que ele quer através da análise.
Então o que rege a prática clínica não é o que pré-concebemos, como fruto de nossa formação e das muitas horas de leitura e pesquisa, mas o atendimento do que o paciente foi buscar no consultório – já que ele é sua própria referência e nosso trabalho é direcionado para sua satisfação. É um “ir em direção à ti” e não “um vir em direção à mim”. Do contrário, estaremos colocando o paciente a nosso serviço, como já afirmei anteriormente. Ele será apenas mais um a “validar” o que a teoria já sacralizou e dogmatizou como indubitável. Neste caso, o papel do analista seria apenas de ouvir o relato do paciente e ver em qual abordagem ou interpretação ele se “encaixaria” (ou encaixotaria) e lhe “cravar” o diagnóstico.
Não pode e não deve ser assim. Que desabem os céus sobre minha cabeça! Mas esta psicanálise eu me recuso a praticar.
Portanto, alheios à pré-juízos, pratiquemos uma psicanálise que tenha sua lente direcionada para o paciente, pois como bem expressou o filósofo Protágoras, “como cada coisa aparece para mim, assim ela é para mim; como cada coisa aparece para ti, assim ela é para ti”. E resumiu tudo dizendo que “o homem é a medida de todas as coisas”, ou seja, eu sou a minha medida e meu paciente é a sua medida. Se quero praticar uma psicanálise orientada para a satisfação do meu paciente, preciso levar em consideração esta máxima de Protágoras.
enviada por Dr. Psico
09/07/2007 08:00
Capítulo 01 - Psicanálise X Paciente
Reconheço ser a psicanálise um poderoso método de análise e tratamento das psiconeuroses e outras desordens correlatas. Reconheço também os esforços ingentes do Dr. Sigmund Freud e, posteriormente, seus sucessores, na investigação e elaboração de tão vasta quanto rica obra de elucidação dos subterrâneos da mente humana. Tenho conhecimento de sua façanha para ser ouvido e fazer valer suas observações, suas teses, suas confirmações, ante um colegiado de céticos raivosos da comunidade científica da época, prontos para esconjurar e excomungar o pai da psicanálise. Não me furto, porém, ao dever de exaltar a matéria-prima da fonte deste conhecimento: o próprio ser humano. Sim... Este ser humano, demasiado humano, que é visto como subproduto do determinismo psíquico, que não pode ser encorajado, alimentado nem sustentado em seus ideais quando em análise por um terapeuta freudiano; que não tem sequer o direito de receber um conselho, um abraço fraterno, um elogio por ocasião de um bom insight. É este ser humano que ensejou a mais propagada e “pedestalizada” das psicologias. É este indivíduo, sujeito do seu tempo, escravo de sua existência, que imortalizou Freud e suas obras. É a este ser humano que quando paciente, lhe é negado o afeto, o sorriso, a complacência, a simpatia (não confundir com empatia), o ombro amigo durante a terapia.
Existiria a psicanálise se não existisse o paciente? Teríamos psicanalistas – que inclusive vivem unicamente da clínica psicanalítica - se não tivéssemos os pacientes? Então, como não dispensar toda atenção e cuidados necessários para o resgate da saúde emocional e conseqüentemente, física de nossos pacientes? Como não envidar todos os esforços possíveis para devolve-lhes um ego íntegro, sintônico, não cindido? Como se limitar à empatia e ao “hum, hum”? Quem está a serviço de quem: O paciente, da psicanálise ou a psicanálise, do paciente? As neuroses existem por causa da psicanálise ou a psicanálise existe e sobrevive por causa das neuroses? Quem sustenta quem? Viva então o paciente! A ele nossas congratulações, nosso respeito, nossa dedicação.
enviada por Dr. Psico
04/07/2007 19:30
AMIGOS E AMIGAS DE BLIG, O QUE VOCÊS VÃO LER POR ALGUMAS SEMANAS SÃO PARTES DO LIVRO QUE ESTOU ESCREVENDO. PEÇO QUE FAÇAM SINCERAS CONSIDERAÇÕES DO CONTEÚDO PARA QUE EU O MELHORE OU ACRESCENTE ALGUM DADO, SE NECESSÁRIO.
O PRÓLOGO É UM POUCO LONGO E POR ISSO SOLICITO A COMPREENSÃO DE VOCÊS E QUE O LEIAM ATÉ O FINAL.
DESDE JÁ, DEIXO AQUI REGISTRADO MEUS SINCEROS AGRADECIMENTOS.
PSICANÁLISE SEM “HUM, HUM”
* Por uma Psicanálise livre, participativa e ao alcance de todos *
Prólogo
Sou daqueles que pensam que todo conhecimento deve estar a serviço da humanidade. Que o saber só tem algum valor (axiológico) se estiver ao alcance do mais humilde ser humano. Por isso não comungo com aqueles que detém, usurpam ou tentam monopolizar a ciência... O saber. Todos que arrogam ser detentores do conhecimento e o utilizam como instrumento de manipulação, de domínio, de superioridade, merecem meu repúdio, minha crítica e meu protesto.
Sou psicanalista freudiano e, portanto, ortodoxo de formação. Estudei, aprendi, porém não pratiquei a doutrina freudiana tal como exaradas nas obras do mestre. Serei excomungado, provavelmente, pelos que defendem e praticam os dogmas da psicanálise freudiana (ou será freudista?) Querem saber por quê? Porque para os freudianos não existe psicanálise fora da doutrina de Freud. Qualquer prática clínica com nome de Psicanálise que não tenha Freud como mentor e mestre, é qualquer coisa, menos Psicanálise. Ainda que respeitem outros teóricos – ex-discípulos ou não de Freud – os psicanalistas ortodoxos abominam o exercício da psicanálise sob outros enfoques.
Aqui, nestas linhas que traço, me reservo o direito de contestar a ortodoxia e até alguns postulados de Freud, que considero equivocados, descontextualizados e até sem fundamentação e/ou experimentação calcados na realidade, tais como: O psicanalista não deve induzir seu paciente a falar; o psicanalista não pode aconselhar; o psicanalista não pode atender a convênios; não existe psicoterapia breve na psicanálise; psicanálise de grupo não é psicanálise; só há análise quando há transferência; o psicanalista não pode ser amigo de seu paciente; mantenha-se em silêncio diante do silêncio de seu paciente (ainda que ele passe toda a sessão calado); restrinja-se ao “hum, hum”; e por aí vai.
Recuso-me acreditar que não se pode utilizar a psicanálise como um instrumento de auxílio, apoio, consolo, aconselhamento e orientação de todos aqueles que, reconhecendo nela uma importante ferramenta, solicite tais intervenções terapêuticas de um profissional habilitado. Seria um crime de lesa consciência negar, recusar, abominar quem faz tal solicitação, bem como excomungar que a atende.
O conhecimento produzido, certificado e revelado nas teses e obras diversas está a disposição de quem o queira aprender e apreendê-lo. O que vai ser feito daí em diante com ele, já não é mais problema de quem o produziu, visto ser o conhecimento de domínio público, não privativo de uma pessoa ou uma classe. A utilização ética, responsável e produtiva, cabe a quem o adquiriu.
Faço uso da psicanálise para atender todas estas solicitações acima listadas, bem como na consultoria em Recursos Humanos, pois a vejo como um conjunto de regras sistematizadas que promovem autoconhecimento, compreensão da situação circundante e desenvolvimento pessoal. A maior busca do paciente na análise, na minha humilde interpretação, não é a simples cura, mas a compreensão do porquê adoece; não é de respostas prontas, mas a capacidade de raciocinar e encontrar respostas; não é pelo que pensamos dele; mas pelo que ele pode descobrir sobre si mesmo. Neste terreno, a psicanálise não pode se furtar ao papel de facilitadora, ora indagando, ora respondendo, ora apontado uma direção, dando ao seu consulente, motivação para a caminhada investigativa em busca da autotranscendência, da auto-realização.
Qualquer prática terapêutica que não liberta o cliente (paciente ou partilhante) das teias dos sofismas, das interpretações macabras, das previsões apocalípticas, nada mais é que uma artimanha para enredar, aprisionar, intimidar e tirar vantagens de todo gênero - principalmente a financeira - do incauto paciente que, pacientemente, submete-se às sessões intermináveis e cheias de mistérios, nos consultórios que mais parecem cavernas ou reinos abissais de vampiros do consciente e inconsciente alheios.
Como posso concordar que Freud, Ferenczi, Klein, Horney, Fenichell, Grinsberg e tantos outros mestres do inconsciente, não tiveram seus pacientes vistos e tratados como seres humanos? Como acreditar que todos estes monstros da ciência do comportamento eram frios, sem afeição, que se recusavam estender a mão a quem clamava por um conselho, uma dica, um norte para sua vida? Como entender que os ortodoxos queiram que nos mantenhamos distantes, ignorando os sentimentos e a dor daqueles que nos procuram? Qual a prova que a distância salva mais que a presença? Que ignorar é mais eficaz que ser atencioso, empático? Que frustrar o paciente traz mais benefícios que ajudá-lo, estendendo-lhe a mão?
Tais atitudes são próprias de um tirano, um déspota, de alguém que, sendo em toda sua vida inferiorizado, achatado, quando tem uma oportunidade de prevalecer, subjuga aos seus caprichos quem teve a infeliz sina de cair em seus divãs. Triste realidade! Psicanálise maldita! Não pode ser isso o que Freud idealizou em seus postulados seguido depois, pelos seus discípulos.
Psicanálise Sem “Hum, Hum” é uma manifestação de quem acredita numa psicanálise livre, participativa e ao alcance de todos. É um grito de quem não se conforma com a rigidez das normas, com a frieza das técnicas. É também um apelo ao bom senso de quem pratica a psicoterapia: que não percamos de vista o ser humano em sua dimensão noética. Que não tiremos o foco da criança que habita o adulto... Do adulto que vagueia no universo... Do universo que assombra a criança... Das fantasias e aspirações que povoam ambos: o adulto e a criança.
enviada por Dr. Psico
02/07/2007 08:30
“OVERDOSE DE INFORMAÇÃO”
Ser bem informado, ter sede de saber, estar “linkado” - usando um termo da informática - ou numa linguagem popular “estar antenado”, sempre deram realce a quem os possui. Ninguém quer o pejo de ignorante, “tapado”, desinformado ou mal-infomado. Porém, há ocasiões em que ser ignorante ou desinformado tem suas vantagens. Vejamos:
Cada nova informação recebida é processada e armazenada no cérebro. Este processo exige atenção, concentração e compreensão. Como o volume de informação que recebemos é bem maior do que a nossa capacidade de assimilação, o cérebro sofre o que Augusto Cury chama de SPA – Síndrome do Pensamento Acelerado.
Por querermos abarcar o maior número possível de informações e armazenar conhecimentos mil, “atropelamos” o processo gradual de apreensão do saber. Essa aceleração do pensamento não fica sem conseqüências, e a ansiedade, apreensão e até hiperatividade (não o distúrbio) são manifestações esperadas.
As nossas fontes de informação são também geradoras de inquietação. Somos bombardeados todos os dias por inúmeras notícias das mais variadas fontes e matizes. Querendo ou não somos informados da corrupção nos três poderes da república (executivo, legislativo e judiciário) o que nos causa revolta, indignação pela nossa impotência ante tais descalabros, por não podermos destituir os poderes nem as facilidades que eles propiciam.
Também invadem o recesso de nossos lares as façanhas dos criminosos de todas as categorias. Vai de um simples furto ao mais hediondo dos seqüestros. Isto nos apavora, nos faz desejar o instituto da pena de morte, nos dá vontade de fazer justiça com as próprias mãos.
Cada ato de violência ou injustiça noticiado nos faz perder a fé no ser humano, e aumenta o desejo de viver isolado num cantinho qualquer deste planeta, onde não exista gente, mas apenas animais, pois o mais feroz dos animais sequer se compara à besta fera humana.
Então, ser desinformado tem suas vantagens: nos poupa da irritabilidade, gastrite, ira, descontrole emocional e mil e um infortúnios. Nos dá tranqüilidade e nos ajuda a focar na nossa vida, nos nossos próprios problemas e na solução deles.
enviada por Dr. Psico
28/06/2007 08:00
“PISCICULTERAPIA”
“Tá nervoso? Vai pescar!” Esta frase se tornou célebre em todo o país. Mais do que uma frase de efeito, ela é mais uma das verdades do senso comum. Pescar sempre foi, é e continuará sendo uma das melhores terapias. E para “sacramentar” esta máxima, dei o nome de PISCICULTERAPIA à prática da pescaria como terapia (antes que outro o faça), juntando o termo “pisci” (elem. de comp. com o sentido de peixe), cultura (ato, efeito ou modo de cultivar, desenvolver ou utilizar certos recursos naturais) e “terapia” (meios, métodos ou atividades que visam a cura ou a remissão das doenças).
Assim, “PISCICULTERAPIA” é o método de cura de disfunções emocionais ou psicossomáticas, através da pescaria ou da criação de peixes. A pesca pode ser esportiva ou não, e praticada em mares, rios, lagoas, lagos e até pesque-pague. Só não pode e não deve ser uma pesca predatória, irresponsável, ilegal. Vale também a criação de peixes em lagos artificiais e em aquários. O que importa é a atividade terapêutica de interação com os peixes nas mais diversas modalidades.
A pescaria ensina a paciência, perseverança e habilidade. Há uma diversidade de peixes que exigem iscas e equipamentos apropriados. Não é todo dia que se fisga peixes. Cada tipo de peixe tem sua época adequada. Tudo isso requer estudo da técnica de pescaria (tamanho do anzol, espessura da linha, envergadura da vara, tipo de molinete ou carretilha, iscas naturais e artificiais, como se fisga) conhecimento do comportamento dos peixes (se nadam sós ou em cardumes, se são ou não predadores, a que horas se alimentam, do que se alimentam e como mordem a isca).
Contudo, não é necessário possuir todo esse conhecimento para praticar a “pisciculterapia”. Basta munir-se de um equipamento básico (vara, linha, anzóis e iscas), escolher um local tranqüilo (mar, rio, lagoa, lago ou pesque-pague) e reservar algumas horas para experimentar uma das mais agradáveis sensações que a vida e a natureza nos proporcionam.
Para quem não gosta de pescar, a “pisciculterapia” pode ser praticada com a criação de peixes. Sejam em lagos artificiais (tanques) ou em aquários, os cuidados com os peixes dão uma rica oportunidade de interação com esses animais. Vê-los nadar relaxa a tensão, acalma os nervos, diminui o ritmo cardíaco e até alimenta o sono.
Minha recomendação para quem precisa de psicoterapia é: "Tá doente? Vai pescar!"
enviada por Dr. Psico
25/06/2007 08:00
ANÁLISE DE ASPECTOS COMPORTAMENTAIS DOS FILHOS “SEM PAIS”
(3ª parte)
A fase adulta dos “filhos sem pais”, além de toda a carga da adolescência e da juventude, pesa-lhes ainda a cobrança de casamento (constituir família), da responsabilidade, do sustento da família, da criação dos filhos - embutidos aí, a educação e formação familiar, - boa profissão, manutenção do emprego, cidadania, e atender a todos os compromissos da própria existência.
Por faltar embasamento, estrutura emocional, a fase adulta torna-se frágil. Está construída sobre “alicerce” psíquico instável, disfuncional. A frustração, a ansiedade, o pânico e outras disfunções ameaçam a estabilidade que com muito esforço, pode-se alcançar. O sucesso torna-se distante, intangível, assustador. O medo de fracassar nas conquistas alinha-se à baixa auto-estima e ao complexo de inferioridade, que pode conduzir ao vazio existencial, a sentimentos de desvalia, de nulidade, ocasionando apatia, abulia, depressão, ódio e autopunição ou comiseração. Ainda que o adulto, paradoxalmente redirecione sua trajetória, a autoconfiança, o espírito empreendedor e a motivação que apresentar serão desprovidas dos elementos psíquicos que lhe foram negados ou suprimidos na sua infância e nas demais etapas de sua vida.
Outro aspecto que merece consideração é o comportamento psicossexual desviante - no caso o homossexualismo, bissexualismo e o lesbianismo. O homossexualismo se apresenta como uma resposta de fragilidade masculina, enquanto o lesbianismo, como uma resposta de agressividade, de virulência feminina. O bissexualismo, a oscilação entre dois pontos que se conflitam; é a angustiante indefinição da identidade sexual. Todas estas respostas revelam o caráter disfuncional da família; do desnorteamento dos filhos pela ausência dos referenciais masculino e feminino bem definidos nos seus papéis de pai e mãe, fundamentalmente. O pai, como modelo de homem a ser imitado pelo filho e desejado pela filha; a mãe, como modelo de mulher a ser imitado pela filha e desejado pelo filho. A inversão dos papéis, ou ausência, ou desfiguração deles na constelação familiar, podem causar indefinição na identidade sexual dos filhos, ocasionando perturbação psíquica nas relações objetais, configurando preferências sexuais atípicas.
A sociedade comporta esses indivíduos e absorve-os, sufocando ou libertando os gemidos angustiantes de pedidos de socorro, mesmo quando as reações são de violência, de distúrbios mentais, descontrole e instabilidade emocionais, de fragilidade e vulnerabilidade diante da incapacidade de mudar o quadro em que vivem.
Alguns quadros de psicoses, esquizofrenia, paranóias, transtorno de personalidade esquizóide, delirante e de esquiva, podem ter a eclosão de suas manifestações atribuídas aos fatores aqui descritos. Uma abordagem com foco nas causas, pode propiciar uma reflexão sobre a comorbidade de alguns casos psiquiátricos e até indicar o caminho para a cura, senão a própria cura.
Esta sucinta abordagem não tem a pretensão de encerrar o assunto, mas tão somente ampliá-lo para patrocinar estudos mais aprofundados sobre estes aspectos e outros que surgirem ao longo da jornada nos subterrâneos da mente humana.
enviada por Dr. Psico
22/06/2007 08:30
ANÁLISE DE ASPECTOS COMPORTAMENTAIS DOS FILHOS “SEM PAIS”
(2ª parte)
A importância da figura do pai e da mãe na família pode ser mensurada pelo reflexo no comportamento dos filhos. Quanto maior o amor, a educação, o companheirismo, o diálogo, o respeito, a responsabilidade, etc, mais equilibrados serão os filhos, que corresponderão com atitudes acertadas. O oposto também é verdadeiro, isto é, quanto maior o desrespeito, a falta de diálogo, o desamor, a agressividade, tanto também será inadequado e desequilibrado o comportamento dos filhos.
Desta forma está sendo gerada uma massa de alienados, de doentes sociais, emocionais e até mentais. Uma sociedade de rebeldia, violência, droga-adição, fragilidade e perdição, cujo fim podemos antever – e não precisa ser cientista social, especialista do comportamento humano ou vidente – basta a simples observação dos caminhos e descaminhos que estão tomando ou construindo, “os filhos sem pais”.
Um dos traços do perfil psicológico dos indivíduos que vivem estas distorções sociais e emocionais é a maneira como manifestam suas convicções religiosas e esportivas. Na religião vão de fanáticos, inflexíveis, extremamente fervorosos, a questionadores, heréticos e de pouco ou nenhum compromisso. No esporte, mostram-se torcedores aguerridos, agressivos, dispostos a qualquer atitude para defender seu time, escola de samba, piloto de F-1, entre outros. Gostam de aventuras radicais e de viver em perigo constante. Podem mostrar-se também totalmente alienados, desinteressados por qualquer modalidade de esporte.
Outro traço da personalidade é o gosto pelo relacionamento sexual atípico e de risco. Aventuras e fantasias sexuais tornam-se a principal motivação, podendo fazer experiências sexuais sem preocupação com estereótipos. Podem também ser retraídos, frígidos e serem inseguros quanto sua identidade sexual, gerando conflitos intrapsíquicos severos.
Podem desenvolver o gosto pelas bebidas alcoólicas, por jogos e drogas, revelando aí seu desajustamento psicossocial. Não gostam de regras, quebrando-as constantemente; desafiam a autoridade, pois não são submissos. No caso oposto podem ser abstêmios, sem iniciativa e conformados.
(continua na 3ª parte)
enviada por Dr. Psico
19/06/2007 08:30
ANÁLISE DE ASPECTOS COMPORTAMENTAIS DOS FILHOS “SEM PAIS”
(1ª parte)
Vejo com assombro, o rumo que estão tomando os adolescentes e jovens hodiernos. Perdidos, sem referenciais notáveis, à procura de modelos que norteiem seus passos – modelos estes que estão mais desorientados que seus seguidores – quedam em cavernas abissais, escuridão de uma vida sem sentido, sem paz, sem luz, sem o hoje e sem o amanhã, sem vislumbre do futuro. São adolescentes e jovens sem adolescência e sem juventude; perderam-nas para a ociosidade, para as drogas, para a violência – agressividade gratuita. O início da perda ocorre no próprio “lar”, pelo descaso, pela violência doméstica, pelo abuso sexual, pelo abandono. Estes são os filhos do acaso, da falta de planejamento, da falta de amor...”Os filhos sem pais”
Assim, adolescentes e jovens rebeldes, que mutilam seus corpos, que se tatuam com figuras geralmente monstruosas, que desafiam as regras e convenções, que gostam de chocar a sociedade, etc, são indivíduos que se encouraçam, que buscam armaduras para ali abrigarem os seres frágeis, inseguros, medrosos e frustrados que são. Comumente, são filhos de pais separados, frutos de relacionamentos extraconjugais ou, como acima citado, vítimas da violência doméstica, do descaso, do abuso sexual e do abandono.
Quando não se tornam rebeldes, violentos ou droga-adictos, tornam-se tímidos, introvertidos, silenciosos, desconfiados, sem iniciativa, com retardo do desenvolvimento cognitivo - ocasionando dificuldades de aprendizagem - problemáticos, mal-humorados ou de humor variável, inseguros, agressivos, instáveis, indecisos, melancólicos, depressivos, ansiosos, fóbicos, obesos, com baixa auto-estima, com afetos embotados, etc.
Estas manifestações são respostas de um padrão de comportamento anti-social, distorcido pela percepção, interpretação e elaboração dos componentes da relação familiar, e que pode ser ocasionado pela ausência da figura paterna e/ou materna na constelação familiar, bem como de atitudes reprováveis dos pais. A maneira como os filhos elaboram esta ausência e/ou atitudes reprováveis, percorre uma via transversal à ideal e faz sua descarga num comportamento inadequado, com um fluxo de emoções desgovernadas e carregadas de força pulsional. Por não conseguir direcionar suas respostas emocionais para o alvo, – no caso os pais - os filhos represam-nas (canalizando-as contra si mesmos) ou extravasam-nas (contra todos) sem se aperceberem dos prejuízos físicos e emocionais que estas atitudes acarretam.
Continua na parte 2
enviada por Dr. Psico
16/06/2007 20:00
“QUASÍMODO, LOBISOMEM, CHUPA-CABRA E P.C.C”
(republicação)
O que tem em comum o “Corcunda de Notre Dame e Lobisomem, com o nosso monstro tupiniquim - o Chupa-Cabra e o famigerado PCC? É que todos habitam o imaginário coletivo, causando terror... Pavor... Assombro quer nas crianças ou nos adultos. Às vezes com ameaças reais - como no caso do PCC e duvidosamente o Chupa-Cabra; e às vezes a ameaça fica apenas na imaginação - como no caso do Quasímodo (mais conhecido como o Corcunda de Notre Dame) e do Lobisomem. E já que estou falando em terror, pavor e assombro, vou abordar neste artigo o tema: Medo e Fobia.
O medo é comum a todas as espécies. Quando natural, faz parte do instinto de sobrevivência. É por causa do medo que preservamos a vida, não correndo riscos desnecessários; evitamos situações de perigo; nos precavemos contra doenças e ameaças naturais; somos cautelosos com o que é desconhecido.
Já a fobia é o medo irracional. Ela se manifesta sem aviso, de forma insidiosa; ela gera pavor, terror do que não existe e avulta o que é insignificante. Ela incapacita a pessoa de raciocinar sobre o que está sentindo, impedindo-a de elaborar suas reações e confrontá-las com a realidade.
Enquanto o medo nos deixa em estado de alerta, a fobia nos deixa em desespero. O medo nos torna previdentes; a fobia nos torna medrosos. O medo nos indica o caminho da observação e da cautela; o medo nos indica o caminho do pavor e da fuga. O medo nos remete à maturidade; a fobia nos remete à infantilidade.
Ter medo não é sinônimo de ser medroso. Só é medroso quem possui o medo irracional - a fobia. Quem possui o medo natural é sensato, cauteloso, precavido.
O medo constitui uma das emoções básicas do ser humano. Ela se manifesta muito cedo na criança, estando sempre presente em toda impressão nova, quando brusca e duradoura. Não há ser humano, ou mesmo animal, que não tenha experimentado uma vez que seja, a sensação do medo. Mas a fobia pode conduzir à neurose, pois não possui base real. Ela é uma reação de defesa inconsciente, oriunda do fato que a motivou, causando forte ansiedade e conflitos psíquicos.
Enfim, o medo natural e racional é salutar, porquanto pode preservar a vida em suas diversas manifestações; a fobia é irracional, neurótica e, portanto, patológica.
enviada por Dr. Psico
14/06/2007 08:00
“EM BUSCA DE SENTIDO”
A busca do ser humano por um sentido é a motivação primária em sua vida. Esse sentido é exclusivo e específico, uma vez que precisa e pode ser cumprido somente por aquela determinada pessoa. Só assim esse sentido assume uma importância que satisfará a própria vontade de sentido.
O ser humano é único, irrepetível e insubstituível. A consciência de ser único, irrepetível e insubstituível, proporciona o seu crescimento e o desenvolvimento de sua auto-estima. Esta consciência pode favorecer a compreensão da liberdade e responsabilidade dos atos, da própria vida, pois cada ação do ser humano constitui o seu próprio monumento.
Fomos chamados para a liberdade; não liberdade de limites, heranças, tendências, etc; mas liberdade para responder às perguntas da própria existência: Quem sou? Para que existo? O que fazer? Por que fazer? Se eu não fizer, quem fará? Se eu não fizer agora, quando farei? Se fizer só para mim mesmo, quem sou então? Estas perguntas devem ser respondidas levando em consideração que nós nascemos com uma missão, nascemos para cumprir um propósito, um sentido.
Quando não cumprimos nosso sentido, seja por não descobri-lo, seja por ignorá-lo, somos levados incontinentes ao vazio existencial. O vazio existencial é uma condição humana onde as pessoas não conseguem um sentido para sua vida; onde a realização de valores está deficiente ou ausente. No balanço existencial o ser humano encontra um saldo negativo, pois não existimos para simplesmente viver, mas viver com um sentido, com um ideal. E quando temos um ideal, somos capazes de dar a vida por este ideal.
O vazio existencial resulta na frustração existencial, que é uma condição mais séria que o vazio existencial, porque a pessoa além de vazia e estéril, está frustrada. Seu sofrimento consiste em uma grande mágoa e um sentimento de malogro, falha, imperfeição e incapacidade para definir e realizar suas metas. A frustração existencial conduz à depressão noogênica, que é a depressão originada pela falta de sentido na vida, pelo vazio e frustração existenciais. (diferentemente das depressões orgânica ou endógena e reativas ou exógenas).
A depressão noogênica conduz ao tédio e tem como conseqüências o alcoolismo, a revolta, a agressividade, o consumo de drogas, o suicídio e até a prostituição, como manifestação de autodesvalorização.
Os sintomas são: ansiedade, tensão, apatia, indiferença, dificuldade de concentração, angústia, falta de energia, insônia, insegurança, intranqüilidade, negativismo, mau-humor, etc.
Ter um sentido na vida é uma das condições para se obter saúde emocional, por que sua ausência é a gênese de muitas destas manifestações acima descritas.
“Até que ponto sou livre?” Pergunta o homem a seu Criador. “Não posso despojar-me do meu corpo, não posso renegar minhas origens, não posso mudar o meu passado, não posso escapar do meu tempo”.
“Tu não és livre de tuas condições” responde o Criador; “porém, tu és livre para te posicionares diante de teus condicionamentos. E isto é muito além do que jamais concedi”.
Victor Emil Frankl
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enviada por Dr. Psico
06/06/2007 16:30
“PLURALIDADE: UMA VISÃO, UM APRENDIZADO”
Pluralidade, segundo os dicionários, refere-se à multiplicidade, abundância, variedade, grande número, etc. Para efeito de análise, vou utilizar o termo pluralidade e seus derivados, como sinônimo de multiplicidade.
Como bem sabemos, nossa cultura é pluralista; nossa etnia é pluralista; nossa política partidária é pluralista e até nossa religião é pluralista. Ou seja, vivemos e convivemos num contexto plural, múltiplo, variado.
Somos diferentes nos aspectos físicos, nas preferências, na visão de mundo, na educação, na formação familiar e cultural e numa série de outras coisas.
Não obstante esta realidade, ainda vemos e ouvimos pessoas que não aprenderam a conviver com o que é diferente de si e de sua microvisão. São pessoas que vociferam preconceitos contra tudo e todos que não se enquadram no que elas classificam como normal, aceitável, palatável.
São pessoas que não expandiram sua visão, quer pela ausência de cultura, quer por preconceitos de todos os motes, quer por atrofia mental/intelectual ou por quaisquer outros motivos.
E por não possuir cosmovisão, a única que possui é a de si mesmo e do que lhe é semelhante. Então, tudo que não está no seu campo de visão, é esquisito, é maldito, é anormal, é animalesco, é de outro planeta...Enfim, é inaceitável.
Desta feita, que atitudes vamos testemunhar nestas pessoas que não aceitam as diferenças? Vamos encontrar pessoas que se recusam terminantemente tomar assento em algumas mesas; a participar de reuniões, mesmo quando são de interesse próprio; excomungar que não reza pelos seus dogmas; não cumprimentar determinadas pessoas; mudar de calçada quando vir ao seu encontro alguém que não corresponde às características que lhes agradam, e por aí vai...
Apesar da minha formação e atuação no campo do comportamento, ainda me surpreendo com pessoas tão míopes e mesquinhas no que tange à pluralidade. Sentem-se tão superiores ao rejeitar as diferenças que não se dão conta que, na verdade, são mui pequenas ante a multiplicidade de nosso planeta; que o pluralismo queiramos ou não, é uma realidade; que podemos aprender muito e nos desenvolvermos na pluralidade; que até podemos ter unidade na diversidade, mas nunca pluralidade no que é singular, num sistema fechado onde o sujeito só enxerga outro quando se olha no espelho, ou seja, vê-se a si mesmo e o que está ao seu redor e pensa que está vendo outro semelhante a ele - por isso tem enorme dificuldade de aceitar o que é ou parece ser diferente.
A cristalização desse posicionamento conduz ao isolamento social, à formação de castas, tribos, grupos separatistas, comunidade de “iluminados”, igrejas exclusivistas que pensam ser as únicas portadoras de mensagens divinas, líderes que acreditam ser os únicos representantes de Deus na terra, enfim, todo tipo de manifestação de singularidade, que implica na exclusão de todos que não se afinam com essa perigosa concepção (vide Hitler e a raça Ariana).
Creio que nesse nosso tempo de desamor, de menos-valia, de falta de valores e de outros tantos aspectos que implicam nos ideais cristãos, a frase que melhor expressa nossa necessidade de revermos nossos conceitos e preconceitos seja a do filósofo, poeta e escritor norte americano Wendell Berry:
“Imagino que para lidar com as diferenças entre nós e as outras pessoas, temos que aprender compaixão, autocontrole, piedade, perdão, simpatia e amor – virtudes sem as quais nem nós, nem o mundo, podemos sobreviver”.
enviada por Dr. Psico
04/06/2007 08:00
“O TERCEIRO ELEMENTO”
O título supra, parece sugerir um filme de ficção alienígena. No entanto, trata-se tão somente do perigo que ronda vários relacionamentos amorosos (namoro ou casamento) de casais felizes ou infelizes.
É fato, que quando queremos conquistar a pessoa amada e / ou idealizada, somos capazes de proezas das mais impressionantes às absurdas, tais como: mandar flores e bombons, escrever poemas, enviar mensagens fonadas e até trio elétrico, escrever o nome da(o) amada(o) em pedreiras e outdoors, pendurar-se de cabeça para baixo, fazer piruetas e outras loucuras em nome do amor.
É fato também, que após a conquista e passado algum tempo (cada um tem o seu medidor de tempo), o relacionamento entra numa fase de estabilidade - não necessariamente de estagnação e rotina, que são extremamente nocivos ao namoro ou matrimônio. É nesta fase que não nos damos conta que nossa(o) companheira(o) está sendo relegada(o) em segundo, terceiro a até quarto plano ou mais; não paramos para apreciar sua beleza, charme e outros atributos que tanto nos encantou desde à conquista até certa altura do relacionamento; não reparamos nas mudanças ou esforços para isto; não elogiamos uma conquista profissional ou pessoal de nossa(o) companheira(o); não investimos tempo para uma boa conversa, uma saudável gargalhada, um passeio, cinema ou teatro, um jantar à dois, um namoro na praça, um afago, um olhar ternurento, um gesto de delicadeza.
Como se não fosse suficiente esta total desatenção com nossa alma gêmea, ainda existe quem só repara os sinais de velhice e de obesidade da(o) companheira(o); só enxerga as falhas, que são impiedosamente execradas; economiza nos abraços, beijos e até na intimidade conjugal. Tem também aquele(a) que se especializou em reclamações, mau humor e agressividade gratuita; que não enxerga as necessidades de quem vive ao seu lado; não sabe reconhecer um esforço na tentativa de agradá-lo(a); não é capaz de se comover com o sofrimento da(o) companheira(o), enxugar suas lágrimas; não estende à mão a quem lhe pede: “Me esmole um pouquinho de sua atenção!” “Olhe para mim... Eu existo!” Quão distantes vão aqueles dias em que, quem fazia isto para conquistar a pessoa amada, era quem hoje despreza, menospreza, abandona!
Mas aí, sem aviso e sem alarde, a(o) companheira(o) começa e revigorar-se; o sorriso volta a embelezar seu rosto, sua cútis rejuvenesce, se surpreende ou é surpreendida(o) cantarolando; seu guarda roupa se renova, seu visual se transforma. Que será que está acontecendo? Qual a causa da mudança? Então descobre-se que o motivo de tão significativa mudança é o que aqui denomino de terceiro elemento. Mas afinal, o que é este tal de “Terceiro Elemento?” O terceiro elemento é alguém (homem ou mulher) que começa a apreciar a pessoa que está sendo menosprezada ou esquecida por quem deveria amar e cuidar. É alguém que bem ou mal intencionado(a), se aproxima do homem ou da mulher que está patenteando sua carência afetiva, que revela sua insatisfação com o cônjuge ou namorado(a). Então começa uma aproximação perigosa para o relacionamento até então estável - ainda que com desacertos - pois a parte envolvida sente-se apreciada, valorizada, desejada; sente-se suprida naquilo que mais lhe falta, pois o terceiro elemento parece adivinhar exatamente o que a pessoa gosta e quer ouvir.
Pronto! O caminho está aberto para, desde um envolvimento emocional e relação extraconjugal, até um abandono do lar ou fim de relacionamento amoroso, com troca de namorado(a). Triste destino de quem se esforçou tanto para uma conquista e depois de alcançá-la, põe seu troféu numa prateleira e esquece-o lá, deixando a poeira encobri-lo. Então se desespera, enlouquece, chora, suplica...Mas em muitos casos, é tarde demais.
Se não quisermos dar a mínima chance à aproximação do terceiro elemento no nosso relacionamento, cuidemos dele como um jardim de flores lindas e delicadas. Dediquemos atenção, amor e carinho. Invistamos tempo no diálogo, no ouvir. Apreciemos sinceramente quem vive e caminha ao nosso lado. Façamos e falemos tudo o que não gostaríamos que outro(a) fizesse ou falasse à (ao) nossa(o) amada(o). Enfim, sejamos tudo aquilo que nos propusemos ser, quando olhamos, idealizamos, amamos, desejamos e até lutamos para conquistar a mulher (ou homem) de nossos sonhos.
Felicidades e muito amor para todos!
enviada por Dr. Psico
01/06/2007 09:47
“CUIDADO COM O 3º ELEMENTO!”
No artigo: “Terceiro Elemento”, (será postado 2ª feira) abordarei a questão do descuido do relacionamento, deixando-o cair na rotina e estagnação, ocasionando a oportunidade de aproximação de uma outra pessoa (homem ou mulher, conforme o caso), que começa a apreciar o cônjuge ou namorada(o), suprindo-lhe a carência de afeto.
Porém, existe outra situação que, se não atentarmos, pode “pôr areia” na relação. É aquela em que uma pessoa (também homem ou mulher) interfere num relacionamento ou numa paquera, a título de dar uma força, um empurrãozinho para apressar as coisas. Então, este “terceiro elemento” começa a pressionar um e/ou outra para declarar sua paixão, para marcar logo um encontro, para não perder tempo e coisas do gênero.
Em outro extremo, desfaz da outra pessoa, até com ataques pessoais, julgando-a não merecedora da atenção de sua amiga ou seu amigo. Porém, subjacente, existe outra intenção que até pode ser inconsciente. No subterrâneo da mente pode está se condensando outros sentimentos, tais como: inveja ou ciúme da(o) amiga(o) e até querer pra si a outra pessoa.
Esta “ajudinha” é interpretada pela(o) amiga(o) como uma boa ação de alguém que quer seu bem, por isso é sempre bem vinda. O que não se sabe é que a verdadeira intenção (ainda que subjacente, como já disse) é “melar” a relação ou a paquera.
Mas qual a causa disto? Por que um(a) amiga(o) faz isto com outra(o) amiga(o)?
Comumente, quem faz este tipo de “jogo” é uma pessoa que possui uma ou mais das seguintes situações: é mal amada; infeliz na vida sentimental; vítima de traição; solitária; cética em relação ao amor. Também pode ser uma pessoa que teme “perder” a(o) amiga(o),
caso esta(e) comece a namorar. Ou, numa atitude neurótica, não quer perder a primazia na paquera ou no namoro para um(a) amiga(o).
Sem dúvida que esta sucinta abordagem é apenas uma minúscula parte do gigantesco complexo de comportamentos humanos.
Minha advertência é: CUIDADO COM O 3º ELEMENTO!
PS: Quando alguém “pega muito no teu pé” ou te faz “ataques pessoais” com certa freqüência, esta pessoa não te odeia, e sim ela te quer, te deseja.
enviada por Dr. Psico
30/05/2007 08:00
“THANATOS: AS PULSÕES DE MORTE”
A morte é um tema que não nos agrada abordar. Não gostamos de mencioná-la e muito menos assisti-la. Porém, sem trocadilhos, ela faz parte de nossa vida, chegando alguns até afirmar que a morte é a única certeza que temos em vida.
A tanatologia - termo de origem grega - designa o estudo da morte e suas correlações, passando pelo desejo e pelo medo de morrer, pelo preparo para a morte, o luto e sua duração.
Neste sucinto artigo abordarei somente as pulsões de morte, ou seja, o namoro com a morte, sua procura e idealização.
Na obra de Freud, vários estudos apontam seu interesse em estabelecer noções, tanto clínicas quanto metapsicológicas, que possam conceber teoricamente o fenômeno da morte. Insistia, contra os filósofos, que a morte não podia ser apreendida pela reflexão, pois a consciência é limitada. Para Freud, o motor mesmo para a reflexão filosófica sobre a morte escapa ao controle da vontade, não se tratando de outra coisa senão das formações do inconsciente.
Assim, no texto Reflexões para o tempo de guerra e morte, inserido no ensaio “Nossa atitude para com a morte”, escreve Freud:
“De fato, é impossível imaginar a própria morte e, sempre que tentamos fazê-lo, podemos perceber que ainda estamos presentes como espectadores. Por isso, a escola psicanalítica pode aventurar-se a afirmar que no fundo ninguém crê em sua própria morte, ou dizendo a mesma coisa de outra maneira, que no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade”. (Citado por Maria Elisa Pessoa Labaki, em seu livro: “Morte”, da coleção Clínica Psicanalítica).
Alheios às elucubrações de Freud, existem os que não tem a imortalidade como algo desejável, que não se vêem como espectadores da própria morte, mas como protagonistas dela. Existem os que se enamoram da morte, desejam-na, não se assustam com sua real possibilidade de ocorrência, e até chamam-na para si. Fazem da morte a única saída, uma porta para o sossego, para a paz. Desafiam a morte, pois sua chegada representa o portal do paraíso, a passagem para um mundo melhor, o início de outra vida. Não quero aqui entrar no mérito dogmático de nenhuma religião, mas tão somente enfocar os aspectos da ideação suicida que não raro, vem acometendo uma considerável parcela da população mundial, particularmente de jovens e adolescentes.
A morte já não assusta tanto como já assustou em tempos passados. É só observar a total falta de preocupação com a perigosa mistura álcool e direção, as overdoses de todo tipo de drogas, os rachas em vias públicas, os esportes radicais sem equipamentos e preparo adequados, as aventuras em lugares inóspitos, etc. Há uma total banalização da morte e suas conseqüências para os que ficam, que sofrem a dor da perda e, em muitos casos, a desestabilização familiar e financeira.
Na ideação suicida a pessoa considera a morte mais atraente que a vida, pois a vida representa desmandos, infelicidade, desilusões, decepções, inimizade, inveja, infidelidade, trabalho, impostos, riscos sem fim, perigos demais. Para essas pessoas viver é um tormento; significa matar um leão a cada dia, sair de casa e não ter a garantia do retorno, sofrer todo tipo de incerteza. Então...Viver por quê e para quê? Pensam eles. Livro-me desta vida e de suas atribulações, arrazoam. E assim a vida é sinônima de morte e a morte sinônima de vida – na concepção desta parcela da população, é óbvio.
O que fazer? Como convencer do contrário? Que solução apresentar? Qual a motivação para trocar a morte pela vida? Bem, respondo estas perguntas com outras perguntas. Se indagarmos qual o sentido da vida, porque não indagarmos também qual o sentido da morte? Se a vida nos foi dada como uma missão, que missão cumprimos ao tirá-la? Se a morte cumpre um propósito, a vida também não cumpre? Em que precisamos mais de coragem: para morrer ou para viver? Quem é o maior perdedor: o que vive com o risco de dissabores ou o que desiste de viver? Se a morte é um fim em si mesma, e se ela virá algum dia querendo nós ou não, por quê apressá-la? Por quê fazer dela um ato heróico ou uma prova de covardia ante a vida?
Deixemos que o Criador, o Todo-Poderoso se encarregue de determinar o dia de nossa partida, pois a Ele cabe o controle do tempo e da existência. Quanto a nós, façamos da vida uma grande e imperdível oportunidade de aprendizagem, aperfeiçoamento e desenvolvimento pessoal, profissional e espiritual, vendo-nos como únicos, irrepetíveis e insubstituíveis no cenário existencial.
VIVA A VIDA!!!
enviada por Dr. Psico
28/05/2007 08:00
“CRATERA NA ALMA”
Ficamos todos estarrecidos ante o catastrófico acidente na linha quatro do metrô de São Paulo. Perfeitamente previsível e evitável, o acidente colheu todos de surpresa pela forma como aconteceu e a magnitude de sua abrangência.
Passado o terror, o que fica são as perdas, a dor, a tristeza, o lamento, a revolta, as imagens do triste cenário e o desejo de que tudo não passasse de um pesadelo.
As elaborações hipotéticas acusam as causas, desde uma análise inadequada do solo à falta de uma estrutura (ferro e concreto) que suportasse a pressão que os imóveis da circunvizinhança e veículos que por ali trafegam, exercem no entorno do “buraco do metrô”.
Analisando o ocorrido, duas coisas me chamam a atenção: A 1ª é a cratera e suas terríveis conseqüências. A 2ª é a falta de estrutura.Como psicanalista, não poderia deixar passar esta oportunidade de comparar a cratera do metrô, com a cratera na alma, até porque a primeira abrirá - indubitavelmente - a segunda.
Mas ainda que não ocorresse a referida catástrofe, a cratera na alma abre e permanece aberta em muitas pessoas, causando enormes estragos emocionais - em alguns casos, irreparáveis.
A cratera na alma ocorre por falta de estrutura psíquica, que deveria ser construída desde a infância e reforçada com o decorrer da vida. Ela também desmorona quando a pessoa não analisa devidamente o terreno onde está construindo sua vida (carreira, relacionamentos amorosos, amizades, etc), causando perdas, dor, tristeza e até revolta, pois nela são soterrados amigos, parentes, amores e carreiras, sob os escombros da amargura, da traição, da falta de perdão, do desamor, do desespero, do destempero, da impaciência, do ódio, da incredulidade e tantas outras razões.
A cratera na alma, diferentemente da outra cratera, não é resolvida com um simples aterro ou concretagem; tampouco é suficiente a retirada dos corpos e veículos que lá caíram; nem a desapropriação dos imóveis que estão dentro da área de risco. Ela exige um trabalho maior e mais profundo, em oposição ao que ocorre na cratera do metrô. Aqui, não se desaloja nada que esteja dentro da área de risco, muito ao contrário, mantêm-se bem próximos todos os que até podem cair nesta cratera, para que seja desenvolvida na pessoa emocionalmente enferma, a habilidade de se relacionar com outras pessoas. Aqui não se aterra a cratera, mas escava-se ainda mais, para que toda raiz de amargura, ódio e outros sentimentos nocivos sejam retirados e exterminados na sua origem, para que a cratera na alma se feche por si mesma, como conseqüência do seu tratamento.
A cratera na alma é um risco permanente em qualquer pessoa e em qualquer época. Mantenhamo-nos alertas e sejamos cautelosos, para não sermos surpreendidos com uma catástrofe emocional de dimensão gigantesca.
enviada por Dr. Psico
25/05/2007 08:00
"FRASES E PENSAMENTOS"
(do Dr. Psico)
* TODO LÚCIDO TEM SEU MOMENTO DE INSANIDADE, E TODO INSANO TEM SEU MOMENTO DE LUCIDEZ.
* O MAIOR OBSTÁCULO A QUALQUER REALIZAÇÃO SUA, É VOCÊ MESMO.
* AMIZADE: AMOR FRUSTRADO EM SUA PRIMEIRA INTENÇÃO (inferência psicanalítica).
* AMIZADE: AMOR ALTRUÍSTA QUE SE DOA SEM ALMEJAR RECOMPENSA (inferência teológica).
* AMIZADE: AMOR SEM SEXO (inferência sexológica).
* O ÓDIO, O RANCOR, A AMARGURA, A INVEJA, O ORGULHO E TANTOS OUTROS RESSENTIMENTOS, SÃO PROCESSOS DE AUTODESTRUIÇÃO.
* CASAMENTO: CONSTANTE PROCESSO DE AJUSTAMENTO.
* CONDENAMOS NOS OUTROS O QUE GOSTARÍAMOS DE FAZER, MAS NÃO TEMOS CORAGEM.
* OS FILHOS NÃO PODEM E NÃO DEVEM SONHAR OS SONHOS DE SEUS PAIS, PORQUE PRECISAM SONHAR SEUS PRÓPRIOS SONHOS.
* SER ADULTO É TROCAR DE LUGAR COM A CRIANÇA QUE SE ERA HÁ POUCO...AGORA.
O QUE ERA EXTERNO FOI PARA DENTRO;
O QUE ERA INTERNO SALTOU PARA FORA.
* A COMUNICAÇÃO É COMO UMA VIA DE MÃO DUPLA. HÁ MAIOR FLUXO, MAS TAMBÉM O RISCO DE UMA COLISÃO FRONTAL.
enviada por Dr. Psico
23/05/2007 08:00
“RASCUNHOS DE PSICOLOGIA”
- Última Parte -
Por fim, concluo à abordagem sobre os complexos, desejando a todos uma boa leitura!
COMPLEXO DE INFERIORIDADE – Alfred Adler usou essa denominação para designar uma situação neurótica em que se encontra o indivíduo para enfrentar os problemas da vida, caracterizada por sentimentos de insuficiência e até incapacidade de resolvê-los.
Pode ter base em defeitos físicos, situação financeira precária, status social modesto, de tal maneira que isso lhe traga a idéia de fracasso. Assim, tenta supercompensar referidos problemas através de atitudes que o elevem e o façam sobressair na sociedade.
Muitos se dedicam às atividades físicas, como esportes, para compensar uma deficiência intelectual; outros se tornam artistas, a fim de serem famosos, numa troca de beleza por talento, e ainda há quem persegue a genialidade com o fim de compensar uma deficiência física. Enfim, há sempre uma necessidade de compensação. Pode ter, portanto, pela intenção e pelo resultado, uma reação positiva ou negativa. De outro modo, o indivíduo pode até chegar ao crime, como recurso para melhorar de vida econômica, através do roubo, desfalques, assaltos, etc. Muitos rapazes que desejam “fazer bonito” com a namorada, se servem desses recursos.
O complexo de inferioridade, segundo Adler, seria a base da neurose, ao contrário do que afirmara Freud ter ela origem em traumas sexuais. Ele chegou a afirmar que a história da humanidade é a “história do sentimento de inferioridade e das tentativas feitas para encontrar uma solução”. E disse mais: “Ser homem é sentir-se inferior”. Pois entendia que, de todos os animais habitantes da Terra, o homem é o mais fraco. E assim justifica a fragilidade humana, responsável pelo complexo de inferioridade e, conseqüentemente, as neuroses.
COMPLEXO DE JOCASTA – Jocasta foi a mãe e, depois, mulher de Édipo. Sua figura, em Psicanálise, é invocada para designar o papel que a mãe desempenha no complexo familiar ou, mais precisamente, no complexo de Édipo, com mimos, carícias e superproteção ao filho, alimentando nele – inconscientemente - o desejo por ela.
A mãe, possuída pelo complexo de Jocasta, disputa o filho com a nora ou futura nora. Também “segura” o filho em casa - mesmo na idade adulta - impedido-o de alcançar autonomia e, conseqüentemente, independência.
COMPLEXO FAMILIAR – A posição que ocupa o indivíduo no seio familiar constitui um dos fatores mais importantes na determinação do caráter. É o relevo que a Psicologia Individual dá, principalmente na infância da cada um, a essa situação quase sempre conflitante. Ser, por exemplo, o filho único, a menina entre os irmãos, o irmão menor ou maior, etc. Isso tudo, para Adler, constitui uma série de fatores decisivos na evolução psicológica das crianças.
A sua importância é tanta que, em geral, decide o bom ou o mau relacionamento dos membros de uma família e até, futuramente, na sociedade, já que esta é uma ampliação daquela.
Freud chamava a essa situação doméstica entre os seus membros, de “complexo familiar”; Stekel denominou-a “romance neurótico da família”. De fato, tudo é muito complexo, podendo se transformar num verdadeiro romance de personagens neuróticos.
As invejas, os ódios, as rivalidades, os complexos de inferioridade e de superioridade, em geral, provêm dessa fase familiar, ampliando-se, depois, aos diversos setores da convivência de cada um no ambiente social.
COMPLEXO DE SUPERIORIDADE – Este complexo também é uma manifestação neurótica da maneira de um indivíduo se comportar e se relacionar socialmente. Pode até advir do complexo de inferioridade, quando o indivíduo consegue a supercompensação e daí, humilha os demais – principalmente se estes lhe forem subordinados – como uma forma distorcida de liderança, de comando, de poder.
Ela pode também ser fruto de uma vida nababesca, em que o indivíduo teve tudo à mão e nada lhe foi negado. Essa sensação de poder tudo, de comprar tudo e todos pode lhe dar a falsa impressão – ou impressão neurótica – de ser um monarca e todos os demais, seus vassalos.
enviada por Dr. Psico
21/05/2007 09:11
“RASCUNHOS DE PSICOLOGIA”
- Parte III -
Em seqüência aos “rascunhos de psicologia”, continua a abordagem sobre os complexos nesta terceira parte.
COMPLEXO DE ÉDIPO – Atração erótica do filho para com sua mãe, com sentimentos de ciúme e rivalidade com o pai. Tem sua origem na tragédia grega de Sófocles, que narra a história do filho, Édipo, que condenado pelo destino, matou o pai e desposou a mãe.
Quando o complexo não é devidamente superado, pode causar no indivíduo revolta contra as autoridades, como símbolos do pai. Pode, também, torná-lo acovardado, como que a temer a autoridade paterna, simbolizada na pessoa de um professor, um policial ou outras pessoas que prefigurem uma autoridade.
No amor, pode ser insatisfeito, buscando constantemente um “verdadeiro amor”, porém, jamais o encontrando. Será ciumento e criará situações bastante complicadas a si e aos demais. Enfim, os problemas psicológicos podem ser inúmeros. Para Freud, o complexo familiar está – praticamente todo – ligado ao complexo de Édipo, do qual os outros dependem.
Atualmente, entretanto, a concepção desse complexo sofreu profunda revisão, não apenas dos psicanalistas, como também dos sociólogos e antropólogos. Muitos o consideram como sendo válido apenas nas sociedades patriarcais, sem valor biológico.
Fala-se, assim, de uma “situação de Édipo”, que existe em qualquer família bem constituída normalmente, tendo um conteúdo psicológico. Erich Fromm considera-o “como a expressão da luta sustentada pelo menino na sociedade patriarcal, a fim de libertar-se da autoridade dos pais que querem modelar sua vida de acordo com seus desejos”. E diz ainda: “No período de Édipo, o menino trata de sair de sua dependência infantil e converter-se num indivíduo. O aspecto sexual pode ou não ter importância, porém, em todo o caso, não é a causa da luta com o pai”.
COMPLEXO DE ELECTRA – Forma feminina do complexo de Édipo, de acordo com a denominação proposta por Carl Gustav Jung. O pai é (quase) sempre o primeiro homem que surge na vida de toda mulher, sendo a mãe, automaticamente, sua primeira rival. Assim, o mesmo romance neurótico que se processa com o filho em relação ao pai, vai ocorrer também com a filha perante a mãe - embora Freud faça algumas observações nesse sentido, salientando ser o desenvolvimento sexual da menina mais complicado que do menino, pois há diferenças fisiológicas e distinções instintivas e psíquicas.
Karen Horney entende que o apêgo aos pais, não é de ordem biológica, sendo tais relações apenas resultado de relações familiares. E justifica sua opinião dizendo que as crianças se desenvolvem em desfavorável ambiente psicológico. Daí os pais representarem, simultaneamente, não só a proteção, como também proibições. Essa situação cria, na criança, forte ansiedade e conflito, de forma que, se a menina for de natureza mais fraca e mais passiva, ela se apegará facilmente ao pai, que lhe representa um protetor forte.
Continua na parte IV e última parte.
enviada por Dr. Psico
18/05/2007 09:46
“RASCUNHOS DE PSICOLOGIA”
- Parte II -
OS COMPLEXOS:
Complexo - na concepção psicanalítica – designa uma combinação de traços pessoais, abrangendo emoções, sentimentos, estados afetivos, cujo conjunto indissolúvel integra a personalidade do indivíduo. Nem sempre tem caráter patológico, podendo tornar-se assim, de acordo com a extensão que tomar, saindo de uma fase primária para se transformar em “hipertrofia secundária”. De modo que, quando não solucionado convenientemente, desencadeia sérias perturbações do temperamento, desde o período de criança até a fase adulta. Por exemplo, o nascimento de um filho pode desencadear no outro uma crise de ciúme, que jamais poderá vencer, acompanhando-o por toda a vida.
As chamadas “constelações familiares”, com todo o seu cortejo de complexos, estão diretamente ligadas, conscientemente ou inconscientemente, a esse convívio que nem sempre é sadio psiquicamente. A inveja, o ciúme, o ódio, ressentimentos entre os membros de uma família, revelam sérios conflitos provenientes dessas rivalidades iniciadas na infância e prolongadas na idade adulta.
Vejamos alguns complexos:
COMPLEXO DE CAIM – Entre os vários tipos de constelações familiares está este complexo, que diz respeito a invejas e ódios entre os irmãos, com desejo de eliminação do rival.
COMPLEXO DE CASTRAÇÃO – Segundo investigação da Psicanálise, o medo à castração constitui uma das lembranças mais antigas da humanidade. De tal maneira que se agregou à sua psique, sendo a rebeldia de certos meninos contra a autoridade paterna, um processo de forma camuflada desse medo. É, ainda, fonte de neurose infantil.
Pesquisas mais profundas da Psicanálise revelaram também, que referido medo ancestral da castração é originado no “complexo de Édipo”. Vem depois aparecer na fase “fálica”, quando o menino começa a manifestar interesse pelo próprio pênis, manipulando-o com fantasias sexuais. Nessa fase é que se origina, precisamente, o complexo de castração, ao sofrer reprimendas dos pais; e se percebe a falta do órgão genital masculino na irmã ou em outras meninas, aí, segundo Freud, dá-se “o maior trauma de sua vida”, trazendo, em conseqüência, o medo de perder o pênis.
COMPLEXO DE CULPA – Consciência da transgressão de um princípio ético ou moral, trazendo como resultado o remorso. Este é um processo de culpa consciente. Entretanto, essa culpa pode estar camuflada, tomando forma inconsciente, ou manifestando-se através de despistamentos e coberturas, como defesas do “ego”.
Exemplo: Quando o indivíduo abriga, intimamente, idéias incestuosas, pode cair na neurose, ou criará desculpas, ou mesmo inventará outras transgressões menores, com o objetivo de proteger-se, constituindo esse mecanismo a chamada “racionalização”.
Poderá, também, transferir para outrem suas próprias culpas, numa forma de “projeção”. Ocorrerá, pois, a repressão de tais idéias com a capa de moralismo, funcionando como defesas da personalidade.
Aguardem a parte III
enviada por Dr. Psico
14/05/2007 14:13
“INTELIGÊNCIA AUTOMOTIVA”
(republicação)
Depois de ouvirmos falar de inteligência emocional, inteligência multifocal, inteligência artificial, inteligência empresarial, inteligência interpessoal e inteligência espiritual, chegou a hora e a vez da inteligência automotiva.
Inteligência automotiva (i.a) é a habilidade que os condutores de veículos automotores devem ter, a fim de transitarem em vias públicas, respeitando as sinalizações de trânsitos, as faixas das pistas de rolamentos, faixas de pedestres, semáforos e os demais veículos, principalmente.
É ter plena consciência de que não reina absoluto nas ruas e avenidas, que existem outros veículos transitando ao lado, atrás e à sua frente, e por isso, indicar com as setas quando tiver a intenção de fazer uma conversão - depois de certificar-se que isto é possível - sem o risco de causar colisões, freadas bruscas e xingamentos de outros condutores. É ser paciente sem ser moroso e ser ágil sem ser apressado.
A inteligência automotiva habilita o motorista a praticar a direção defensiva, a dar a preferência para os transeuntes, a perceber a presença de uma motocicleta ou bicicleta ao seu lado, a permitir a ultrapassagem, a não estacionar em filas duplas e, o mais importante, reconhecer quando não está em condição de guiar um veículo, seja por ingestão de bebidas alcoólicas, seja por habilitação vencida, seja por insuficiência visual ou por uma indisposição qualquer, que interfira no seu estado de saúde, nos seus reflexos e na sua atenção, com graves riscos de prejuízos a si e a terceiros.
Carteira de habilitação não é sinônimo de inteligência automotiva. A habilitação pode ser adquirida com aulas teóricas e práticas, aplicação, persistência e até com o famoso “jeitinho brasileiro”. Já a inteligência automotiva, é adquirida com o uso da consciência, do raciocínio, da atenção, do respeito, da consideração, ao mesmo tempo em que, quem a possui, também possui as outras características, ou seja, é cíclica.
É também possível que a inteligência automotiva seja nata, nascida com o indivíduo como parte de sua herança genética, assim como outros tipos de inteligências e habilidades.
Não estou aqui lançando modismo, mas apenas constatando uma realidade. É possível que ouçamos daqui pra frente falar, da inteligência automotiva como um fator imprescindível na formação dos condutores de veículos automotores e, portanto, digno de sua inclusão no currículo das auto-escolas.
Enfim, inteligência automotiva é tudo isto que abordei, e também o que não abordei – seria muita pretensão de minha parte pensar que o assunto está esgotado - relativo à arte de conduzir um veículo automotor com perícia, habilidade, consciência e respeito à vida.
enviada por Dr. Psico
11/05/2007 14:19
“RASCUNHOS DE PSICOLOGIA”
Aqui vai uma pequeníssima contribuição pessoal para quem esteja sofrendo de um ou mais destes males, aos quais recomendo ajuda profissional.
MÁGOA, RANCOR, IRA E ÓDIO:
A mágoa é um desgosto com uma pessoa ou uma situação desagradável. É um descontentamento, um desagrado, que conduz ao rancor.
O rancor é um ressentimento profundo, resultado de ato alheio que causa algum dano, seja material, emocional ou afetivo.
O rancor, por sua vez, conduz à ira ou cólera, que desperta o desejo de vingança e dá, finalmente, lugar ao ódio.
O ódio é a cólera em conserva que se tornou crônica e se manifesta com desejos destrutivos. É uma reação emocional violenta que impele a pessoa a causar ou desejar mal ao seu desafeto.
DECEPÇÃO OU DESILUSÃO:
Desilusão é sinônimo de decepção, malogro, desengano. É a frustração de uma esperança, de um sonho.
A desilusão é resultado do insucesso, do fracasso de um projeto ou planejamento, seja na área profissional, sentimental, financeira ou espiritual.
Há muita gente decepcionada com o casamento, com seu trabalho, com suas amizades, com sua família, consigo mesmo, com a religião, com os governantes e até com Deus (numa interpretação livre do que seja Deus). Tudo isto foi idealizado de acordo com uma conceituação própria, numa perspectiva particular, portanto, sujeita às deformações próprias da natureza humana, com reflexos na valoração não condizente com realidade ou ao caráter do que se está pretendendo para si, tendo sempre por base a própria formação – criadouro do caráter, da personalidade, das experiências boas ou más – que vai influir diretamente na forma de perceber os alvos propostos para si mesmos. Quando o que se pretende não corresponde ao que foi idealizado, surge em seu lugar a decepção (ou desilusão).
TRISTEZA E SOLIDÃO:
Tristeza é sinônimo de melancolia, infelicidade, tédio, desgosto, abatimento. Pode ser causada por perdas (amigos, familiares, emprego, bens, etc), frustração, decepção, falta de perspectiva e muitas outras causas, podendo conduzir à depressão.
A solidão é um estado psicológico que exige muito esforço para suportá-lo, pois, do contrário, é capaz de levar ao enlouquecimento.
A solidão provoca neurose, angústia e pode também evoluir para a esquizofrenia, se a pessoa já tiver predisposição genética.
MEDO E ANGÚSTIA:
O medo racional é uma sensação de insegurança ante a iminência de um perigo e tem por base o instinto de preservação ou sobrevivência. Constitui-se numa das emoções básicas do ser humano. Ele se manifesta muito cedo na criança, estando presente em toda nova situação ou impressão.
Porém, existe o medo irracional. Este sim requer cuidado, pois sua manifestação é causadora de várias fobias. É um medo que não se justifica, pois não existe a ameaça real (medo de escuro, ruídos, insetos, trovões, relâmpagos, chuva, vento, etc).
A angústia é um forte sentimento de apreensão a uma ameaça justificada ou não, considerada inevitável, de força interior, podendo também vir do exterior como uma ameaça. É uma reação emocional tida como um sinal de alarme. Dessa maneira, o consciente prevê a ameaça e se sente atemorizado. Os sintomas são: opressão torácica, taquicardia, suor frio e abundante, palidez e tremores. Às vezes, há disenteria e dispnéia (alteração respiratória). A angústia é um sintoma de neurose, com formas intermediárias entre medo e ansiedade, tendo reações individuais, de acordo com a maneira de cada um sentir. (AGUARDEM NOVOS POSTS)
enviada por Dr. Psico
09/05/2007 08:53
“PERDOANDO A SI MESMO”
“Aquele que, em qualquer tempo,
nunca perdeu a razão, demonstra
não dispor de nenhuma para perder”
(Nestroy)
Aprendemos desde criança que devemos perdoar aos que nos ofendem. Através de catequese familiar e ∕ou religiosa, foi-nos inculcado que perdoar o próximo é uma atitude nobre e divina. Que, quem não perdoa não é perdoado. Que errar é humano e perdoar é divino.
No entanto, faltou na “catequese” o item “perdoar a si mesmo”. Aprendemos pouco ou nada sobre o auto-perdão... Sobre o dar a nós mesmos o direito de errar e depois reconhecer que erramos, e aí perdoar-nos. Como não fomos ensinados sobre isso, ficamos na dependência de que alguém nos perdoe - sem, contudo, apontar nossos erros.
A falta de auto-perdão não fica sem conseqüência. Interfere na saúde emocional com reações que podem ficar não apenas na ideação, mas também em manifestações como:
- Sentimento de culpa= Quem não se perdoa, internaliza o sentimento de culpa pelo que fez ou deixou de fazer, vivendo como um eterno culpado, como alguém que não merece viver. O sentimento de culpa se torna um fardo pesado e enfadonho, que faz com que a pessoa ande curvada, cabisbaixa.
- Auto-comiseração= Esta é uma reação em que a pessoa, por não perdoar-se, assume o papel de vítima. Ela acredita que ninguém a ama, que ninguém se importa com ela e que isto é castigo pelo que ela fez de mal a outras pessoas ou a si mesma.
- Auto-condenação= Na auto-condenação a pessoa se pune por não suportar viver com a culpa pelos seus erros, pelos seus “pecados”. Carrega por toda a vida a dor de não se perdoar.
- Transferência de culpa= Quando não há auto-perdão, a culpa se agiganta e fica insuportável o fardo. Ela pode incapacitar a pessoa, privando-a das atividades do cotidiano, tais como: estudar, trabalhar, divertir-se, etc. Em busca de alívio, a pessoa tenta livra-se de seu fardo de culpa, transferindo-o para terceiros. Assim, tudo de ruim que aconteceu ou acontece em sua vida, sempre tem um culpado - que nunca é ela mesma. Em vez de admitir o erro e perdoar-se, a pessoa responsabiliza terceiros por todos os desmandos de sua vida.
- Racionalização= Aqui a pessoa busca justificar as suas atitudes. A racionalização é um mecanismo de defesa que permite à pessoa pensar que o que fez não tinha como ser evitado. Isto a impede de pensar e pesar conscientemente seus atos, julgá-los, corrigi-los – se necessário – e perdoar a si mesma.
- Não aceitar as imperfeições(que é diferente de "negar as imperfeições")= Não aceitarmos quem somos e como somos é o primeiro passo para não perdoar-nos pelo que fazemos - o que poderá nos conduzir à auto-comiseração. Todos possuímos imperfeições de matizes variadas que nos torna uma sociedade pluralista. Olhar só para as próprias imperfeições e não aceitá-las, significa esquecer que fazemos parte de um todo... Que somos simplesmente uma peça de um quebra-cabeça universal. Olhar tão somente para as imperfeições alheias faz-nos esquecer as próprias - o que se torna numa embriaguês social. Ambas atitudes são equivocadas. Não aceitar as próprias imperfeições ou só olhar as imperfeições alheias, não são soluções para nossa falta de auto-perdão.
Quem quiser conservar ou resgatar sua saúde emocional precisa entender que é imperfeito, que comete falhas – e muitas delas, graves, - que tem o direito de errar (direito, não o dever) e que, ao lado deste direito, tem também a faculdade de repensar seus atos e perdoar a si mesmo, livrando-se do fardo da culpa e as suas conseqüências, conquistando o privilégio de uma vida livre, plena e responsável.
Não esqueçamos pois o que disse Nestroy: “...quem nunca perdeu a razão, é porque não dispõe de uma para perder".
FELICIDADES PARA TODOS!
enviada por Dr. Psico
07/05/2007 08:51
“FERIDAS NA ALMA”
Nesta sucinta abordagem vou falar sobre as feridas na alma, provocadas pelo “amor” (ou o que pensamos ser o amor).
Chamamos de amor qualquer paixão arrebatadora que, como vulcão em erupção, nos atinge sem aviso prévio, pegando-nos desprevenidos.
É esse sentimento do qual somos vítimas e protagonistas que tem ferido tantos corações, deixando-os sangrando por quase toda a vida.
A dor do abandono, da traição, das juras hipócritas de amor tem deixado muita gente desnorteada, deprimida, jogada ao relento, olhando para o nada, sem perspectivas e num processo de autodestruição. É pior que a dor física que passa com medicamentos.
Não temos levado em conta as muitas pessoas que estão frustradas... decepcionadas com o amor. As declarações de amor, os abraços, os beijos, o romance e tantas outras manifestações que caracterizam uma paixão, constituem-se em meros gestos momentâneos que são entregues e retomados bruscamente sem piedade, fazendo do(a) outro(a) um(a) sofredor(a), um(a) desiludido(a), um(a) derrotado(a), mais um(a) pobre vítima do amor.
Muitos se tornam alcoólatras, andarilhos, introvertidos, amargurados e até criminosos passionais; tudo por causa de um amor prometido e depois negado. São juras e declarações românticas e quem jurou age com frieza, com insensibilidade, com indiferença e até certo gosto de triunfo ao ver o(a) outro(a) no chão, suplicando por mais uma chance, desejando que tudo não passe de um sonho, não querendo crer ou aceitar o fato... a dura realidade: foi descartado(a).
Tenho recebido em meu consultório dezenas de “vítimas” deste tipo de amor, cujas promessas de fidelidade resultaram em traição. E a situação de muitas destas pessoas é idêntica, ou seja, nunca mais terão de volta o objeto de seu amor.
Para melhor compreender a dor da rejeição, do abandono, da desilusão, precisei não apenas mergulhar em pesquisas, mas me colocar no lugar de quem passa ou já passou por esse revés. Posso então afirmar que é uma dor visceral; é uma das dores mais agudas que um ser humano pode vivenciar. Não há remédio alopático nem homeopático que cure. É literalmente uma dor na alma!
Quem declara amor e depois renega, nunca amou. É a maneira mais cruel de atingir alguém... é uma morte lenta. É melhor morrer executado que ser uma vítima do amor. As vítimas deste amor são mais numerosas que as vítimas do ódio.
Mas para que saibam que o amor não está limitado às frases de um poeta sonhador, nem às canções latinas ou de duplas sertanejas, é que dedico este artigo e também minha solidariedade à todos os sofredores, à todos os que estão com o coração sangrando, à todos que ainda acreditam no amor não obstante a decepção com aqueles(as) que em nome do amor, tanto mal causam ou causaram aos que verdadeiramente amam.
O amor é um sentimento lindo, sublime, indescritível. Amar é a mais pura e genuína manifestação de ser humano, demasiado humano. Quem ama é nobre, é gente, tem afeto, tem sentimentos, merece o carinho de todos e um especial tributo deste articulista.
enviada por Dr. Psico
04/05/2007 11:59
“PALAVRAS... APENAS PALAVRAS”
Não sou poeta. Os poetas sabem rimar e brincam com as palavras.
Não sou escritor. Os escritores sabem concatenar as idéias e representá-las de forma lógica e organizada.
Não sou romancista. Os romancistas sabem criar enredos que encantam os leitores.
Não sou novelista. Os novelistas sabem escrever contos, aventuras e intrigas.
O que sou então? Sou escrevinhador! Bebo de fontes alheias. Mergulho nas lavas incandescentes dos vulcões do saber e das explosões de inspiração das minhas e dos meus colegas “Bligueiros”.
Não produzo... Reproduzo.
Não escrevo... Escrevinho.
Não componho... Acompanho.
Não sou lógico... Sou ecológico.
Não invento... Sigo o vento.
Não sei rimar... Sei arrumar.
Não sei cantar... Tento encantar.
Não sou nada... Sou alguém.
Alegro o meu dia visitando o Azul Celeste, da Lisa.
Me livro do estresse visitando o Tempestade, da Vivi... O Falo Messsmo, da Thais.
Me informo lendo o Quintal do Profeta, do Edilson... O Kerufe, do Querufe.
Aprendo a crítica construtiva, lendo A Vista do Meu Ponto, do Reni.
Me inebrio lendo Poesia Pra Quem é de Poesia, do Turkon.... O Pensar Sentir, da Cecília... Diário de Uma Adolescente em Crise, da Cadavérica Girl... O Muito Estranha, da Ieda... O Poeta e Emoção, de Don Cláudio.
Me intelectualizo lendo o Livre Pensar Livre, da Lia Lopes.
É assim que vivo: Escrevinhando... “Blogando”... Reproduzindo... Jogando palavras ao vento.
enviada por Dr. Psico
30/04/2007 09:07
“O GRITO DE UM INCONFORMADO”
Eu estou inconformado. Eu quero gritar. Não importa se serei ouvido... Eu quero gritar. Não importa se gritarei sozinho...Eu estou inconformado e quero gritar.
- Quero gritar contra o foro privilegiado para juízes vendedores de sentenças.
- Quero gritar contra a imunidade parlamentar para políticos corruptos.
- Quero gritar contra os ex-participantes do BBB, que desfilaram em carros do Corpo de Bombeiro e ganharam homenagens em Câmaras Municipais, enquanto os professores são agredidos em sala de aula e ganham esmolas como salários.
- Quero gritar contra os usuários de drogas, que sustentam o crime - nos tornando vítimas potenciais da bandidagem - e que poderiam usar o dinheiro do vicio para custear o próprio tratamento.
- Quero gritar contra o MST, que luta por terras e depois que as ganham, vendem-nas e continuam invadindo propriedades alheias.
- Quero gritar contra os padres pedófilos, que são apenas transferidos para outras paróquias –quando deveriam ser excluídos do sacerdócio - levando consigo a semente maligna da atração sexual por crianças.
- Quero gritar contra os pastores, que vilipendiam o evangelho com práticas que contrariam os ensinos genuínos de Jesus Cristo e o utilizam em proveito próprio.
- Quero gritar contra todo tipo de discriminação, que desrespeita, menospreza e envergonha o próximo (mais próximo do que imaginamos).
- Quero gritar contra os patrões, que exploram seus empregados como escravos e os dispensam prontamente, quando reivindicam seus direitos.
- Quero gritar contra os empregados, que para conseguirem o emprego se apresentam “certinhos” e depois que acumulam tempo de casa, relaxam com o trabalho e fomentam a inimizade e semeiam a discórdia, prejudicando os colegas.
- Quero gritar contra os pais, que geram filhos - que não pediram para nascer – e depois os maltratam, negam-lhes o amor, a atenção, a educação, o convívio familiar.
- Quero gritar contra os filhos, que mesmo não pedindo para nascer, nasceram e poderiam amar e respeitar seus pais.
- Quero gritar contra os fumantes, que nos tornam fumantes passivos, fumando em lugares fechados em total desrespeito aos não-fumantes.
- Quero gritar contra vizinhos barulhentos, que não respeitam o horário de silêncio e acham que os outros não precisam descansar.
- Quero gritar contra os torcedores fanáticos – muitos de vida simples - que literalmente brigam, agridem e são agredidos em nome de seus times, enquanto os jogadores ganham fortuna e se “lixam” para a torcida.
- Quero gritar contra os policiais bandidos, que são mais perigosos que os perigosos bandidos.
- Quero gritar contra os eleitores desavergonhados, que votam em candidatos de conduta duvidosa, ou devolvem o poder aos políticos que não honraram seus mandatos.
- Quero gritar contra a política da educação, que privilegia com universidade pública quem está nas classes A e B, e relega o pobre às carérrimas universidades particulares.
- Quero gritar contra os consumistas abastados, que compram o que não vão usar ou comer e depois descartam no lixo, ao invés de doarem para uma instituição filantrópica.
- Quero gritar contra os países ricos, que esfumaçam o planeta, que destruíram todas as suas matas e agora nos cobram cuidados com a Amazônia.
- Por fim, quero gritar contra toda injustiça que se comete no Brasil e mundo-a-fora; contra toda malandragem; contra a mentira, o engano; contra a miséria; contra a opressão; contra a escravidão; contra o tráfico de mulheres e de crianças; contra todo tipo de corrupção; contra a guerra e as guerrilhas; contra a fome e contra a glutonaria; contra o desperdício; contra o abandono; contra tudo que desgraça nossa sociedade de forma clara ou velada, contra tudo que nos torna ignorantes, que nos torna inimigos uns dos outros e que destrói o que ainda há de humano em nós...
EU QUERO GRITAR!!!!!!!!!!
enviada por Dr. Psico
27/04/2007 16:19
“DEVANEIOS DE UM PSICANALISTA”
Pego a maçaneta, abro a porta e meu consultório me cumprimenta com um largo sorriso.
Olho para a parede atrás de minha mesa e meus diplomas me apontam como uma autoridade do psiquismo humano.
Sento em minha cadeira e me sinto como um monarca em seu trono, preste a promulgar um edito.
À minha direita está a estante, e meus livros sugerem que sou um conhecedor de seus conteúdos.
À esquerda está o famigerado divã que, silencioso, assiste minhas análises e corrobora minhas interpretações.
Aqui estou. Senhor das emoções; intérprete do não dito; conquistador dos subterrâneos da mente; um médico da alma.
E o paciente? Ah! O paciente! Bem, o paciente, este estranho num ambiente estranho e amedrontador, está assentado à minha frente aguardando o término de meu devaneio para ser atendido, sem saber que ele é a única razão de minha existência e subsistência como profissional, bem como de meu narcísico consultório.
É por causa dele que estudo, me especializo, me reciclo, me esmero, e me mantenho disposto e disponível. É por ele (paciente) que me inclino (sentido literal do termo clinicar), sou atencioso e empático, sou solidário em sua dor, me faço companheiro para lhe fazer companhia em sua caminhada analítica, às vezes falando, às vezes silencioso sendo apenas bom ouvinte. É pelo meu estimado paciente que leio e releio as “Obras Completas de Freud”, o “Compêndio da Prática Psicanalítica” de Horacio Etchegoyen, “A Teoria Psicanalítica das Neuroses” de Otto Fenichel, e tantas outras publicações pertinentes, pois é ele quem me premia, massageia meu ego pela deferência, me sustenta, me “eterniza” na profissão.
O que seria dos analistas, médicos e psicoterapeutas, se não existissem os pacientes? Existiríamos? Existiriam os consultórios?
Aos pacientes, pois, minhas sinceras e efusivas congratulações e votos de que algum dia, alguém bem intencionado crie o “Dia dos Pacientes”, a exemplo do “Dia dos Médicos”.
enviada por Dr. Psico
20/04/2007 16:00
“OBJETIVIDADE SUBJETIVA”
Quem estiver lendo este artigo, deve estar inquirindo se subjetividade e objetividade não são antônimas. Na verdade são. Então, como é possível ser objetivo e subjetivo concomitante? Vamos ao assunto, para entendermos o que o título sugere.
Vivemos num mundo dominado pela realidade objetiva. Tudo o que fazemos é determinado ou pré-determinado pela realidade objetiva. A manifestação de nossas vontades obedece determinadas regras. Não podemos expressar nossas vontades livremente, pois se elas estiverem fora do que é considerado “normal”, moral e legal, serão reprimidas pela religião, sociedade e até pela polícia.
Não sabemos mais expressar nossas verdadeiras vontades. Não sabemos mais do que gostamos. Nossos gostos nos foram impostos por alguma propaganda comercial, sejam em bebidas, alimentos, calçados, vestuário, veículos, etc. Até nossas preferências pelo tipo de pessoa desejada, está sofrendo interferência. Perdemos nossa capacidade de raciocinar e decidir livremente o que queremos. Deixamos o Estado, a religião, os políticos, a TV, os “famosos”, a indústria e o comércio dirigirem nossas vidas em todos os sentidos.
Quando vamos ao shopping, somos automaticamente atraídos para as griffes propagandeadas por algum astro ou estrela, na TV. Quando nos supermercados, procuramos, sôfregos, nas prateleiras, as marcas anunciadas nos comerciais; confundimos o produto com sua marca mais famosa e badalada e, por isto, deixamos de averiguar se existe o mesmo produto de outra marca, com um preço inferior. Assim, a cada dia nos anulamos, para assumir uma nova identidade que nem ao menos sabemos qual é. Posso, no entanto afirmar, que é a identidade que interessa à classe chamada “dominante”.
Sofremos também, as influências dos famosos e brilhantes teóricos e pensadores deste e do dos séculos passados, a tal ponto que não nos atrevemos pronunciar uma palavra sem que esta esteja baseada numa dessas teorias. Não temos o direito de teorizar, de argumentar ou analisar qualquer fenômeno, como elaboração própria, sem que sejamos contestados, confrontados e ridicularizados. Isto tem inibido muitos livres pensadores e suas ótimas idéias. É um massacre psíquico.
Objetividade, determinação e persistência são características indispensáveis a todos os que pretendem se posicionar e se firmar na vida. Neste afã, muitos têm se perdido e desintegrado ou cindido seu ego, por não considerar seu mundo interior, seu subjetivismo. Ao adotar a visão de mundo que não é a sua, o indivíduo dá lugar ao inconsciente coletivo, ignorando sua existência egóica, seu universo psíquico e, por conseguinte, seu mais reservado direito de livremente, fazer suas escolhas; escolher e decidir sem interferência, sem manipulação, sem mensagem subliminar, não cedendo à pressão ou à posse de seu cérebro.
O ser humano para ser humano, para sentir-se gente, para ser persona, precisa regressar ao seu mundo interior, conhecê-lo para conhecer-se, repensar sua existência e seus valores, ser objetivo sem deixar de ser subjetivo, ou seja, ser claro, determinado, arrojado, persistente, decidido e etc, porém, como fruto de sua vontade, de sua escolha, de seu autoconhecimento, com a certeza de que sua objetividade é a expressão de seu subjetivismo, a mais pura manifestação de seu ego, de si-mesmo. É a objetividade filtrada pelo subjetivismo, passada pelo crivo do livre-arbítrio.
A busca do verdadeiro eu, a construção do ego sintônico e o exercício do amplo e irrestrito direito de ser indivíduo e, portanto, com liberdade de pensar e agir de acordo com sua consciência, propiciará o surgimento ou ressurgimento do chamado homo sapiens, do ser pensante, do genuíno ser humano.
enviada por Dr. Psico
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