Dr. Psico

09/03/2007 08:30
“CRATERA NA ALMA”

Estamos ainda estarrecidos ante o catastrófico acidente na linha quatro do metrô de São Paulo. Perfeitamente previsível e evitável, o acidente colheu todos de surpresa pela forma como aconteceu e a magnitude de sua abrangência.
Passado o terror, o que fica são as perdas, a dor, a tristeza, o lamento, a revolta, as imagens do triste cenário e o desejo de que tudo não passasse de um pesadelo.
As elaborações hipotéticas acusam as causas, desde uma análise inadequada do solo à falta de uma estrutura (ferro e concreto) que suportasse a pressão que os imóveis da circunvizinhança e veículos que por ali trafegam, exercem no entorno do “buraco do metrô”.
Analisando o ocorrido, duas coisas me chamam a atenção: A 1ª é a cratera e suas terríveis conseqüências. A 2ª é a falta de estrutura.
Como psicanalista, não poderia deixar passar esta oportunidade de comparar a cratera do metrô, com a cratera na alma, até porque a primeira abrirá - indubitavelmente - a segunda. Mas ainda que não ocorresse a referida catástrofe, a cratera na alma abre e permanece aberta em muitas pessoas, causando enormes estragos emocionais - em alguns casos, irreparáveis.
A cratera na alma ocorre por falta de estrutura psíquica, que deveria ser construída desde a infância e reforçada com o decorrer da vida. Ela também desmorona quando a pessoa não analisa devidamente o terreno onde está construindo sua vida (carreira, relacionamentos amorosos, amizades, etc), causando perdas, dor, tristeza e até revolta, pois nela são soterrados amigos, parentes, amores e carreiras, sob os escombros da amargura, da traição, da falta de perdão, do desamor, do desespero, do destempero, da impaciência, do ódio, da incredulidade e tantas outras razões.
A cratera na alma, diferentemente da outra cratera, não é resolvida com um simples aterro ou concretagem; tampouco é suficiente a retirada dos corpos e veículos que lá caíram; nem a desapropriação dos imóveis que estão dentro da área de risco. Ela exige um trabalho maior e mais profundo, em oposição ao que ocorre na cratera do metrô. Aqui, não se desaloja nada que esteja dentro da área de risco, muito ao contrário, mantêm-se bem próximos todos os que até podem cair nesta cratera, para que seja desenvolvida na pessoa emocionalmente enferma, a habilidade de se relacionar com outras pessoas. Aqui não se aterra a cratera, mas escava-se ainda mais, para que toda raiz de amargura, ódio e outros sentimentos nocivos sejam retirados e exterminados na sua origem, para que a cratera na alma se feche por si mesma, como conseqüência do seu tratamento.
A cratera na alma é um risco permanente em qualquer pessoa e em qualquer época. Mantenhamo-nos alertas e sejamos cautelosos, para não sermos surpreendidos com uma catástrofe emocional de dimensão gigantesca.






enviada por Dr. Psico






Feed :: (O que é isso?)