Dr. Psico

16/03/2007 10:28
“THANATOS: AS PULSÕES DE MORTE”

A morte é um tema que não nos agrada abordar. Não gostamos de mencioná-la e muito menos assisti-la. Porém, sem trocadilhos, ela faz parte de nossa vida, chegando alguns até afirmar que a morte é a única certeza que temos em vida.
A tanatologia - termo de origem grega - designa o estudo da morte e suas correlações, passando pelo desejo e pelo medo de morrer, pelo preparo para a morte, o luto e sua duração.
Neste sucinto artigo abordarei somente as pulsões de morte, ou seja, o namoro com a morte, sua procura e idealização.
Na obra de Freud, vários estudos apontam seu interesse em estabelecer noções, tanto clínicas quanto metapsicológicas, que possam conceber teoricamente o fenômeno da morte. Insistia, contra os filósofos, que a morte não podia ser apreendida pela reflexão, pois a consciência é limitada. Para Freud, o motor mesmo para a reflexão filosófica sobre a morte escapa ao controle da vontade, não se tratando de outra coisa senão das formações do inconsciente.
Assim, no texto Reflexões para o tempo de guerra e morte, inserido no ensaio “Nossa atitude para com a morte”, escreve Freud:
“De fato, é impossível imaginar a própria morte e, sempre que tentamos fazê-lo, podemos perceber que ainda estamos presentes como espectadores. Por isso, a escola psicanalítica pode aventurar-se a afirmar que no fundo ninguém crê em sua própria morte, ou dizendo a mesma coisa de outra maneira, que no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade”. (Citado por Maria Elisa Pessoa Labaki, em seu livro: “Morte”, da coleção Clínica Psicanalítica).
Alheios às elucubrações de Freud, existem os que não tem a imortalidade como algo desejável, que não se vêem como espectadores da própria morte, mas como protagonistas dela. Existem os que se enamoram da morte, desejam-na, não se assustam com sua real possibilidade de ocorrência, e até chamam-na para si. Fazem da morte a única saída, uma porta para o sossego, para a paz. Desafiam a morte, pois sua chegada representa o portal do paraíso, a passagem para um mundo melhor, o início de outra vida. Não quero aqui entrar no mérito dogmático de nenhuma religião, mas tão somente enfocar os aspectos da ideação suicida que não raro, vem acometendo uma considerável parcela da população mundial, particularmente de jovens e adolescentes.
A morte já não assusta tanto como já assustou em tempos passados. É só observar a total falta de preocupação com a perigosa mistura álcool e direção, as overdoses de todo tipo de drogas, os rachas em vias públicas, os esportes radicais sem equipamentos e preparo adequados, as aventuras em lugares inóspitos, etc. Há uma total banalização da morte e suas conseqüências para os que ficam, que sofrem a dor da perda e, em muitos casos, a desestabilização familiar e financeira.
Na ideação suicida a pessoa considera a morte mais atraente que a vida, pois a vida representa desmandos, infelicidade, desilusões, decepções, inimizade, inveja, infidelidade, trabalho, impostos, riscos sem fim, perigos demais. Para essas pessoas viver é um tormento; significa matar um leão a cada dia, sair de casa e não ter a garantia do retorno, sofrer todo tipo de incerteza. Então...Viver por quê e para quê? Pensam eles. Livro-me desta vida e de suas atribulações, arrazoam. E assim a vida é sinônima de morte e a morte sinônima de vida – na concepção desta parcela da população, é óbvio.
O que fazer? Como convencer do contrário? Que solução apresentar? Qual a motivação para trocar a morte pela vida? Bem, respondo estas perguntas com outras perguntas. Se indagarmos qual o sentido da vida, porque não indagarmos também qual o sentido da morte? Se a vida nos foi dada como uma missão, que missão cumprimos ao tirá-la? Se a morte cumpre um propósito, a vida também não cumpre? Em que precisamos mais de coragem: para morrer ou para viver? Quem é o maior perdedor: o que vive com o risco de dissabores ou o que desiste de viver? Se a morte é um fim em si mesma, e se ela virá algum dia querendo nós ou não, por quê apressá-la? Por quê fazer dela um ato heróico ou uma prova de covardia ante a vida?
Deixemos que o Criador, o Todo-Poderoso se encarregue de determinar o dia de nossa partida, pois a Ele cabe o controle do tempo e da existência. Quanto a nós, façamos da vida uma grande e imperdível oportunidade de aprendizagem, aperfeiçoamento e desenvolvimento pessoal, profissional e espiritual, vendo-nos como únicos, irrepetíveis e insubstituíveis no cenário existencial.
Viva a vida!!!


enviada por Dr. Psico






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