26/03/2007 12:54
“PLURALIDADE: UMA VISÃO, UM APRENDIZADO”
Pluralidade, segundo os dicionários, refere-se à multiplicidade, abundância, variedade, grande número, etc. Para efeito de análise, vou utilizar o termo pluralidade e seus derivados, como sinônimo de multiplicidade.
Como bem sabemos, nossa cultura é pluralista; nossa etnia é pluralista; nossa política partidária é pluralista e até nossa religião é pluralista. Ou seja, vivemos e convivemos num contexto plural, múltiplo, variado.
Somos diferentes nos aspectos físicos, nas preferências, na visão de mundo, na educação, na formação familiar e cultural e numa série de outras coisas.
Não obstante esta realidade, ainda vemos e ouvimos pessoas que não aprenderam a conviver com o que é diferente de si e de sua microvisão. São pessoas que vociferam preconceitos contra tudo e todos que não se enquadram no que elas classificam como normal, aceitável, palatável.
São pessoas que não expandiram sua visão, quer pela ausência de cultura, quer por preconceitos de todos os motes, quer por atrofia mental/intelectual ou por quaisquer outros motivos.
E por não possuir cosmovisão, a única que possui é a de si mesmo e do que lhe é semelhante. Então, tudo que não está no seu campo de visão, é esquisito, é maldito, é anormal, é animalesco, é de outro planeta...Enfim, é inaceitável.
Desta feita, que atitudes vamos testemunhar nestas pessoas que não aceitam as diferenças? Vamos encontrar pessoas que se recusam terminantemente tomar assento em algumas mesas; a participar de reuniões, mesmo quando são de interesse próprio; excomungar que não reza pelos seus dogmas; não cumprimentar determinadas pessoas; mudar de calçada quando vir ao seu encontro alguém que não corresponde às características que lhes agradam, e por aí vai...
Apesar da minha formação e atuação no campo do comportamento, ainda me surpreendo com pessoas tão míopes e mesquinhas no que tange à pluralidade. Sentem-se tão superiores ao rejeitar as diferenças que não se dão conta que, na verdade, são mui pequenas ante a multiplicidade de nosso planeta; que o pluralismo queiramos ou não, é uma realidade; que podemos aprender muito e nos desenvolvermos na pluralidade; que até podemos ter unidade na diversidade, mas nunca pluralidade no que é singular, num sistema fechado onde o sujeito só enxerga outro quando se olha no espelho, ou seja, vê-se a si mesmo e o que está ao seu redor e pensa que está vendo outro semelhante a ele - por isso tem enorme dificuldade de aceitar o que é ou parece ser diferente.
A cristalização desse posicionamento conduz ao isolamento social, à formação de castas, tribos, grupos separatistas, comunidade de “iluminados”, igrejas exclusivistas que pensam ser as únicas portadoras de mensagens divinas, líderes que acreditam ser os únicos representantes de Deus na terra, enfim, todo tipo de manifestação de singularidade, que implica na exclusão de todos que não se afinam com essa perigosa concepção (vide Hitler e a raça Ariana).
Creio que nesse nosso tempo de desamor, de menos-valia, de falta de valores e de outros tantos aspectos que implicam nos ideais cristãos, a frase que melhor expressa nossa necessidade de revermos nossos conceitos e preconceitos seja a do filósofo, poeta e escritor norte americano Wendell Berry:
“Imagino que para lidar com as diferenças entre nós e as outras pessoas, temos que aprender compaixão, autocontrole, piedade, perdão, simpatia e amor – virtudes sem as quais nem nós, nem o mundo, podemos sobreviver”.
enviada por Dr. Psico
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