09/04/2007 13:21
“MIZUKI: A PRINCESA DO ORIENTE”
Havia no reino encantado do oriente uma princesa chamada Mizuki. Mizuki era uma linda e inteligente menina, que se tornou princesa, que se tornou mulher, que se tornou esposa, que se tornou mãe... Mas continuou sendo princesa.
Mizuki era amada por todos, porque era amiga de todos. Sua vida se resumia em estudar. Não era como as outras princesas que gostavam de festas, bailes, desfiles e outros tipos de diversão. Mizuki queria reconhecimento pelo trabalho, não pela fama, pela beleza, mesmo sendo a mais bela princesa de seu reino.
Mizuki conheceu Drássis do reino da Grécia, dotado de grande e reconhecida sabedoria. Casaram-se e então sua dedicação foi exclusiva para o seu amado e para o fruto advindo dessa união. Ela o amou, mas ele não a amou com a mesma intensidade. Ela sonhou com ele, mas ele não sonhou com ela. Ela confiou nele, mas ele não honrou a confiança dela. Drássis a deixou, mas ela não conseguiu deixá-lo. Drássis era de fato um sábio, mas não era príncipe, porque os príncipes são nobres e os nobres não ferem quem lhes ama.
O sorriso da princesa Mizuki feneceu, seu olhar se entristeceu, sua voz embargou, seu semblante descaiu, seu ânimo desanimou, seu trabalho parou, sua alegria definhou... Mas ela continuou sendo princesa.
O tempo parou para assistir o sofrimento da princesa Mizuki. A lua e as estrelas se inclinaram para indagar dela onde estava sua felicidade. Até o sol bufou zangado, esquentando ainda mais o planeta, quando soube que a princesa Mizuki tinha sido abandonada por Drássis.
Ela chorou...Todos choraram! Ela se fechou e todos perguntaram: - “Onde está Mizuki?” Ela não sorriu e uma chuva torrencial caiu sobre seu reino. Raios e trovões rasgaram o céu quando as lágrimas de Mizuki caíram no chão. Porém, ela continuou sendo princesa.
Seu amado tomou outro rumo, ignorando-a; ela seguiu seu caminho, amando-o. Ela sofreu e ele não soube. Ela chorou, mas ele não soube. Ela ficou infeliz e ele continuou sem saber. Ele morreu um pouco; ela morria aos poucos.
Mizuki privou a todos de sua beleza e graça. Não passeava mais ao sabor do sol e dos ventos. Sua fala se tornou triste; seu olhar ficou vazio. A vida perdeu o colorido, tudo ficou acinzentado. Ela esqueceu que era linda, que era singular, que era única. Ainda assim, continuou sendo princesa.
Mizuki só queria amar e ser amada. Não sonhou com grandeza, riqueza, nem reinado. Só queria amar e ser amada. Não se adornou com pérolas e diamantes, como se adornam as princesas; não! Só queria amar e ser amada. Nunca se viu como princesa que era, porque só queria amar e ser amada. Não queria viver em palácios, em suntuosos aposentos; só queria amar e ser amada.
Nenhum homem – nobre ou plebeu – que lhe visse, conseguia ignorá-la, mas ela ignorava todos, pois só tinha olhos para o seu amado. No entanto, seu amado ignorou-a enquanto todos a desejavam, e ainda assim ela continuou amando-o, mesmo sem ser amada.
Princesas foram geradas para serem veneradas, não ignoradas. Lugar de princesa é no palácio, não na masmorra. Princesas não podem chorar, pois seus súditos apreciam seus sorrisos. Mas infelizmente, as princesas também choram, também sofrem, também são ignoradas, também são mal amadas...Mas nunca deixam de ser princesas.
Hoje, a pergunta que ainda se houve no ar, é: - “Onde anda a princesa Mizuki?” “O que aconteceu com ela?” “Sairá um dia de seu castelo e nos dará outra vez o ar de sua graça?” “Passeará outra vez entre nós?” “Amará outra vez?” “Aceitará pretendentes?”
Até parece que o destino sempre reserva uma tragédia - seja ela de grande ou pequena proporção - às princesas. Porque será que a realeza sofre estas vicissitudes? Porque olhares tão ternos têm que se extinguir? Porque pessoas que amam tanto, não são tão amadas? Porque pessoas nada especiais fazem pessoas especiais sofrerem? Não tenho respostas para estas indagações. Só sei que se a história continuar assim, logo não teremos mais um reino encantado com lindas princesas, para escrevermos outros contos e nos tornarmos seus eternos vassalos, literalmente atirados aos seus pés gritando em uníssono: “VIDA LONGA ÀS PRINCESAS!!!”
enviada por Dr. Psico
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